Guia Completo

Engenharia Biomédica: Guia Definitivo sobre a Profissão, Curso, Salário e Mercado de Trabalho [2026]

O guia mais completo do Brasil sobre Engenharia Biomédica. Tudo sobre curso, salários, mercado de trabalho, empresas, regulamentação e futuro da profissão.

Guia Completo
17 de fevereiro de 2026
35 min de leitura

A Engenharia Biomédica é a área da engenharia que aplica princípios de matemática, física, computação e ciências biológicas para criar tecnologias que salvam vidas. Dos ventiladores pulmonares que mantêm pacientes respirando nas UTIs aos algoritmos de inteligência artificial que detectam tumores em exames de imagem, passando por próteses inteligentes e robôs cirúrgicos — tudo isso é engenharia biomédica.

No Brasil, a área vive um momento de expansão acelerada: são 27 cursos de graduação ativos, um mercado de dispositivos médicos que movimenta R$ 26,1 bilhões por ano, salário médio de R$ 8.658/mês (podendo ultrapassar R$ 16 mil para profissionais seniores) e mais de 1.900 healthtechs que posicionam o país como líder na América Latina em inovação em saúde.

Se você quer entender o que faz um engenheiro biomédico, quanto ganha, onde estudar, como é o mercado de trabalho e qual o futuro dessa profissão, este é o guia mais completo do Brasil sobre o tema.

1. O que é Engenharia Biomédica

A Engenharia Biomédica — também chamada de Bioengenharia em alguns contextos — é o campo da engenharia dedicado a aplicar métodos e tecnologias de engenharia à solução de problemas em medicina e biologia. Na prática, isso significa projetar, desenvolver, testar e manter equipamentos, dispositivos, softwares e sistemas que são usados em hospitais, clínicas, laboratórios e pela própria população para cuidar da saúde.

O engenheiro biomédico é, antes de tudo, um engenheiro. Sua formação parte de bases sólidas em cálculo, física, eletrônica e computação — as mesmas de um engenheiro elétrico ou mecânico. O diferencial é que todas essas ferramentas são direcionadas para aplicações em saúde: desde projetar um monitor de sinais vitais até desenvolver um algoritmo de inteligência artificial capaz de interpretar radiografias de tórax.

Uma breve história

A Engenharia Biomédica como disciplina acadêmica formalizada surgiu nos Estados Unidos na década de 1960, quando universidades como Johns Hopkins, Duke e MIT começaram a oferecer programas específicos.

No Brasil, a história começa em 1971, quando o Programa de Engenharia Biomédica (PEB) foi criado na COPPE/UFRJ como o 10º programa da instituição. Em 1975, a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) foi fundada.

A graduação específica só chegou 30 anos depois: o primeiro curso de bacharelado em Engenharia Biomédica foi criado pela UNIVAP (São José dos Campos/SP) em 2001. De 2001 a 2024, o número de cursos cresceu de 2 para 27 — um dos crescimentos mais acelerados entre todas as engenharias no país.

Leia também: História da Engenharia Biomédica no Brasil: da COPPE/UFRJ aos 27 cursos

Marcos históricos fundamentais:

  • 1971 — Criação do PEB/COPPE/UFRJ (primeiro programa de pós-graduação)
  • 1975 — Fundação da SBEB
  • 1982 — Criação do Centro de Engenharia Biomédica (CEB) da UNICAMP e lançamento da Revista Brasileira de Engenharia Biomédica
  • 2001 — Primeiros cursos de graduação (UNIVAP e UFPE)
  • 2007 — CONFEA/CREA regulamenta o exercício profissional
  • 2008 — Título "Engenheiro Biomédico" inserido na Tabela de Títulos Profissionais do CONFEA
  • 2018 — Resolução CONFEA 1.103 detalha as atribuições profissionais
  • 2022 — Ministério do Trabalho reconhece oficialmente a profissão (CBO 2143-80)

2. O que faz um Engenheiro Biomédico

O dia a dia do engenheiro biomédico varia enormemente conforme a área de atuação escolhida, mas as atividades centrais incluem:

No hospital (engenharia clínica): gerenciar o parque de equipamentos médicos, coordenar manutenções preventivas e corretivas, avaliar novas aquisições, garantir a conformidade com normas de segurança (IEC 60601), treinar equipes clínicas no uso de equipamentos e atuar na interface entre tecnologia e cuidado ao paciente. O Brasil possui mais de 6.500 hospitais, cada um demandando gestão tecnológica.

Na indústria de dispositivos médicos: projetar e desenvolver novos equipamentos e dispositivos, conduzir testes de segurança e desempenho, preparar documentação técnica para registro na ANVISA, gerenciar a qualidade conforme ISO 13485 e coordenar assistência técnica.

Em pesquisa e desenvolvimento: criar algoritmos de inteligência artificial para análise de imagens médicas, desenvolver biomateriais e próteses, pesquisar novas técnicas de imageamento, trabalhar com bioimpressão 3D e engenharia de tecidos.

Na área regulatória: preparar dossiês técnicos para registro de dispositivos médicos na ANVISA, realizar análises de risco conforme ISO 14971, implementar e auditar sistemas de gestão de qualidade e monitorar a tecnovigilância de produtos no mercado.

Em saúde digital e startups: desenvolver softwares médicos, plataformas de telemedicina, aplicativos de monitoramento de saúde, sistemas de prontuário eletrônico e soluções baseadas em IA para diagnóstico e tratamento.

Leia também: O que faz um Engenheiro Biomédico: dia a dia, atividades e perfil profissional

3. Áreas de atuação da Engenharia Biomédica

A Engenharia Biomédica é uma das profissões com maior diversidade de áreas de atuação. Abaixo, detalhamos cada uma delas.

3.1. Engenharia Clínica

A área que mais absorve engenheiros biomédicos no Brasil. O engenheiro clínico é o profissional responsável pela gestão de tecnologia em saúde dentro de hospitais e clínicas: seleciona, adquire, instala, calibra, faz manutenção e acompanha o desempenho de todos os equipamentos médicos.

3.2. Instrumentação Biomédica

Projeto e desenvolvimento de equipamentos de medição de variáveis biológicas: eletrocardiógrafos (ECG), eletroencefalógrafos (EEG), eletromiógrafos (EMG), oxímetros de pulso, monitores de pressão, sensores implantáveis, transdutores e circuitos de condicionamento de sinais biológicos.

3.3. Processamento de Sinais e Imagens Médicas

Desenvolvimento de algoritmos e softwares para análise de sinais biomédicos (ECG, EEG, EMG) e imagens médicas (ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassom, raio-X, PET-CT). Inclui técnicas de filtragem, reconhecimento de padrões, segmentação de imagens, reconstrução 3D e deep learning aplicado ao diagnóstico.

3.4. Biomecânica e Engenharia de Reabilitação

Estudo das forças e movimentos do corpo humano aplicado ao projeto de próteses, órteses, exoesqueletos, cadeiras de rodas motorizadas, tecnologias assistivas, implantes ortopédicos e equipamentos de fisioterapia.

3.5. Biomateriais e Engenharia de Tecidos

Desenvolvimento de materiais biocompatíveis para implantes (titânio, cerâmicas, polímeros, hidrogéis), scaffolds para crescimento celular, pele artificial, enxertos vasculares, liberação controlada de fármacos e bioimpressão 3D de tecidos e órgãos.

3.6. Informática em Saúde

Projeto de sistemas de informação hospitalar (HIS), prontuário eletrônico do paciente (PEP), sistemas PACS/RIS para imagens médicas, interoperabilidade entre sistemas de saúde (padrões HL7 e FHIR), telemedicina e saúde digital.

3.7. Inteligência Artificial em Saúde

Uma das áreas de crescimento mais acelerado. Inclui machine learning e deep learning para diagnóstico por imagem, predição de doenças, análise genômica, processamento de linguagem natural para prontuários, chatbots médicos e sistemas de apoio à decisão clínica. No Brasil, 17% dos médicos já utilizam IA generativa na rotina clínica e 20% das healthtechs incorporam IA em seus produtos.

3.8. Engenharia Neural e Neuroengenharia

Interface cérebro-computador (BCI), estimulação cerebral profunda, neuromodulação, neuroimagem funcional, neuropróteses, implantes cocleares e retinianos, e mapeamento cerebral.

3.9. Robótica Médica e Cirúrgica

Projeto e operação de robôs para cirurgia minimamente invasiva (como o Da Vinci), robôs de reabilitação, exoesqueletos, sistemas de telepresença médica e robôs para esterilização e logística hospitalar. O Brasil conta com mais de 150 sistemas Da Vinci instalados e 40 operando no SUS.

3.10. Regulação e Assuntos Regulatórios

Profissionais especializados no registro e certificação de dispositivos médicos junto à ANVISA (no Brasil), FDA (EUA) ou organismos notificados (Europa). Atuam em análise de risco, testes de segurança, conformidade normativa e tecnovigilância.

3.11. Áreas Emergentes

Nanotecnologia em saúde, bioimpressão 3D (fabricação de tecidos e órgãos), gêmeos digitais em saúde, Internet das Coisas Médicas (IoMT), wearables de saúde, realidade aumentada e virtual para cirurgia e reabilitação, e computação quântica aplicada à descoberta de fármacos.

Leia também: Áreas de atuação da Engenharia Biomédica: guia completo com salários por área

4. Diferença entre Engenharia Biomédica e Biomedicina

Esta é uma das dúvidas mais pesquisadas por vestibulandos — e a confusão é compreensível, já que os nomes são parecidos. Mas Engenharia Biomédica e Biomedicina são profissões completamente distintas, com formações diferentes, conselhos reguladores diferentes e atuações que quase não se sobrepõem.

A forma mais direta de entender é: a Biomedicina identifica doenças; a Engenharia Biomédica cria as tecnologias que permitem identificá-las e tratá-las.

Dimensão Engenharia Biomédica Biomedicina
Área do conhecimento Ciências Exatas / Engenharias Ciências Biológicas / Saúde
Foco Tecnologia e equipamentos para saúde Processos biológicos e doenças
Base curricular Cálculo, Física, Eletrônica, Computação Biologia, Química, Microbiologia
Duração 5 anos (10 semestres) 4 anos (8 semestres)
Conselho profissional CONFEA/CREA CFBM/CRBM
CBO 2143-80 (Engenheiro Biomédico) 2212-05 (Biomédico)
Salário médio (CAGED 2026) R$ 8.658/mês R$ 3.268/mês
O que faz Projeta monitores, próteses, softwares de IA, ventiladores Realiza exames laboratoriais, identifica patógenos, pesquisa fármacos
Onde trabalha Indústria de equipamentos, hospitais (eng. clínica), startups, P&D Laboratórios, hospitais (diagnóstico), clínicas de imagem
Piso salarial legal Sim (Lei 4.950-A/1966) Não (varia por estado e sindicato)

Também é importante não confundir Engenharia Biomédica com Engenharia Clínica. A Engenharia Clínica é uma subárea da Engenharia Biomédica, focada na gestão de tecnologia hospitalar. Todo engenheiro clínico é (ou deveria ser) um engenheiro biomédico, mas nem todo engenheiro biomédico atua como engenheiro clínico.

Leia também: Engenharia Biomédica vs. Biomedicina: qual escolher? Comparativo completo

5. O curso de Engenharia Biomédica

O bacharelado em Engenharia Biomédica é um curso de 5 anos de duração (10 semestres), com carga horária mínima de 3.600 horas, oferecido predominantemente na modalidade presencial e em período integral. Exige estágio supervisionado obrigatório (mínimo de 160 a 168 horas) e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

A formação é genuinamente interdisciplinar — é um dos poucos cursos de engenharia em que o aluno estuda tanto Circuitos Elétricos e Programação quanto Anatomia Humana e Fisiologia.

Para quem é o curso?

O perfil ideal do estudante de Engenharia Biomédica combina:

  • Afinidade com matemática e física (a base de qualquer engenharia)
  • Interesse por biologia e saúde (o diferencial desta engenharia)
  • Aptidão para programação e tecnologia (cada vez mais central)
  • Motivação para criar soluções que impactem diretamente a vida das pessoas

O curso é difícil?

Sim — como qualquer engenharia, a Engenharia Biomédica exige dedicação significativa, especialmente nos primeiros dois anos, que concentram disciplinas de cálculo, álgebra linear, física e química. A diferença é que, a partir do terceiro ano, as disciplinas se tornam muito mais aplicadas e envolventes: Instrumentação Biomédica, Biomecânica, Processamento de Imagens Médicas, Inteligência Artificial.

Leia também: O curso de Engenharia Biomédica: o que esperar dos 5 anos de graduação

6. Grade curricular de Engenharia Biomédica

A grade se organiza em três grandes blocos, comuns à maioria das instituições:

Ciclo básico (1º ao 4º semestre)

  • Cálculo Diferencial e Integral (1, 2 e 3)
  • Álgebra Linear e Geometria Analítica
  • Probabilidade e Estatística
  • Física (Mecânica, Ondas, Eletromagnetismo, Óptica)
  • Química Geral
  • Anatomia Humana
  • Bioquímica
  • Fisiologia Humana
  • Algoritmos e Programação
  • Desenho Técnico

Disciplinas profissionalizantes (4º ao 8º semestre)

  • Circuitos Elétricos
  • Eletrônica Analógica e Digital
  • Sinais e Sistemas
  • Microprocessadores e Sistemas Embarcados
  • Biofísica
  • Fisiologia de Sistemas
  • Instrumentação Biomédica
  • Biomecânica
  • Biomateriais e Biocompatibilidade
  • Engenharia de Tecidos
  • Processamento Digital de Sinais Biomédicos
  • Processamento de Imagens Médicas
  • Engenharia Clínica
  • Informática em Saúde
  • Modelagem de Sistemas Biomédicos
  • Dispositivos Implantáveis e Próteses
  • Metrologia Biomédica
  • Regulação de Produtos para Saúde (ANVISA, IEC 60601)
  • Inteligência Artificial aplicada à Saúde

Ênfases e áreas de concentração

Cada universidade organiza suas ênfases de forma diferente. A UFABC, por exemplo, estrutura o curso em quatro eixos: Sinais e Imagens, Biomecânica e Biomateriais, Sistemas Inteligentes e Instrumentação para Diagnóstico e Terapia.

Leia também: Grade curricular de Engenharia Biomédica: todas as disciplinas detalhadas

7. Onde estudar Engenharia Biomédica: todas as faculdades do Brasil

O Brasil conta com 27 cursos de graduação em Engenharia Biomédica cadastrados, distribuídos entre universidades públicas (federais e estaduais) e instituições privadas.

Universidades públicas

Instituição Cidade/UF Tipo Destaques
UFABC São Bernardo do Campo/SP Federal 125 vagas; ingresso via BC&T; 3.720h
UFPE Recife/PE Federal Pioneira entre as públicas (2001); conceito 4 MEC
UFU Uberlândia/MG Federal Uma das primeiras federais na área
UFSJ São João del-Rei/MG Federal Presencial
UFPA Belém/PA Federal Única na região Norte
UFRN Natal/RN Federal Nota máxima de ingresso de 814,67 no SiSU 2025
UNIFESP São José dos Campos/SP Federal Presencial
UFRB Cruz das Almas/BA Federal Programa mais recente
UFNT Tocantins Federal Programa mais recente

Universidades privadas e confessionais

Instituição Cidade/UF Destaques
UNIVAP São José dos Campos/SP Pioneira absoluta — primeiro curso do Brasil (2001)
PUC-PR Curitiba/PR Nota máxima (5) no MEC; dupla titulação com Portugal
PUC-SP Sorocaba/SP Metodologia PBL (aprendizado baseado em problemas)
PUC-Campinas Campinas/SP Criação recente
INATEL Santa Rita do Sapucaí/MG Referência em telecomunicações aplicadas à saúde
Faculdade Albert Einstein São Paulo/SP Infraestrutura do Hospital Albert Einstein
UNISINOS São Leopoldo/RS Oferta mais recente
UFN Santa Maria/RS Comunitária
FUMEC Belo Horizonte/MG Presencial
IBMR Rio de Janeiro/RJ Privada
USJT São Paulo/SP Privada
UNA Belo Horizonte/MG Privada
UNINTER Curitiba/PR Oferta EaD/semipresencial
FECAF Taboão da Serra/SP Privada
FACVEST Lages/SC Privada
UniAGES Paripiranga/BA Privada

Mensalidades em instituições privadas variam de R$ 700 a R$ 2.500/mês (sem bolsa). Com programas de bolsas, é possível encontrar valores a partir de R$ 646/mês.

Dado importante: entre 45% e 50% das vagas totais já são oferecidas na modalidade EaD ou semipresencial. Se você valoriza formação prática em laboratórios e contato direto com equipamentos reais, priorize instituições com oferta presencial e boa infraestrutura.

Leia também: Todas as faculdades de Engenharia Biomédica no Brasil: guia completo

8. Notas de corte no SiSU 2025

Para ingressar em Engenharia Biomédica por uma universidade pública via SiSU, é necessário atingir notas competitivas no ENEM.

Universidade Nota de Corte (ampla concorrência)
UFU (Uberlândia/MG) 754,24
UFPE (Recife/PE) 750,23
UFRN (Natal/RN) 715,53
UFNT (Norte do Tocantins) 708,19
UFRB (Recôncavo da Bahia) 410,60

A média nacional das notas de corte é de 667,76 pontos, o que posiciona Engenharia Biomédica como o 36º curso mais concorrido entre 88 cursos oferecidos pelo SiSU.

A UFABC não aparece com nota de corte direta porque utiliza ingresso via Bacharelado em Ciência e Tecnologia (BC&T), com seleção para a engenharia específica ocorrendo internamente após os primeiros semestres.

Leia também: Notas de corte de Engenharia Biomédica no SiSU: dados atualizados

9. Pós-graduação em Engenharia Biomédica

Para quem deseja seguir carreira em pesquisa, docência ou se especializar em áreas de ponta, o Brasil oferece 16 programas de pós-graduação stricto sensu em Engenharia Biomédica ou áreas correlatas.

Programas específicos em Engenharia Biomédica

Instituição Níveis Conceito CAPES Destaque
COPPE/UFRJ Mestrado e Doutorado 6 (Excelência) Programa-mãe da área no Brasil; fundado em 1971; 509+ mestres e 165+ doutores formados
UFPE Mestrado e Doutorado 4–5 Forte em IA, computação biomédica e informática em saúde
UFU Mestrado e Doutorado Instrumentação, processamento de sinais
UTFPR Mestrado Profissional 4 Único mestrado profissional em EB no Sul
UFABC Mestrado Biomateriais, biomecânica, imagens médicas
UnB Mestrado Tecnologias em EB, computação inteligente
UMC Mestrado e Doutorado Engenharia biomédica aplicada

Programas correlatos de alto nível

  • USP — Escola Politécnica: PPG em Engenharia Elétrica com área de concentração em Engenharia Biomédica (LEB fundado em 1981)
  • UNICAMP — FEEC: PPG em Engenharia Elétrica com área em EB; Centro de Engenharia Biomédica (CEB) criado em 1982
  • USP São Carlos: PPG Interunidades em Bioengenharia (EESC/FMRP/IQSC)
  • UFSC: PPG em Engenharia Elétrica via Instituto de Engenharia Biomédica (IEB-UFSC)

Leia também: Pós-graduação em Engenharia Biomédica: mestrado, doutorado e especialização

10. Quanto ganha um Engenheiro Biomédico: salários atualizados 2026

Os dados mais confiáveis sobre remuneração vêm do CAGED/MTE, consolidados pelo Portal Salário, com base no CBO 2143-80 (Engenheiro Biomédico). Os valores abaixo referem-se a fevereiro de 2026, considerando jornada de 40 horas semanais.

Visão geral

Indicador Valor
Salário médio nacional R$ 8.658/mês
Piso salarial R$ 8.422/mês
Teto salarial R$ 14.782/mês
Amostra 137 profissionais (admitidos/desligados em 12 meses)

Por nível de experiência

Nível Salário Médio
Júnior (até 4 anos) R$ 7.659/mês
Pleno (4 a 6 anos) R$ 10.246/mês
Sênior (6+ anos) R$ 13.262/mês

Por porte da empresa

O porte da empresa faz diferença significativa. Um engenheiro biomédico sênior em empresa de grande porte (500+ funcionários) recebe em média R$ 16.795/mês, enquanto em microempresa o valor cai para R$ 8.970/mês.

Setores mais bem remunerados

Os segmentos que oferecem os melhores salários são gestão de apoio à saúde (R$ 11.051 em média) e ensino superior (R$ 10.431), seguidos pela indústria de equipamentos médicos e setor regulatório.

Piso legal para engenheiros

A Lei 4.950-A/1966 estabelece um salário mínimo profissional para engenheiros vinculado ao salário mínimo nacional. Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621, o piso é de R$ 9.726/mês para jornada de 6 horas e R$ 14.589/mês para 8 horas diárias.

Comparação com o Biomédico (CBO 2212-05)

É importante reforçar a diferença salarial: o Biomédico (profissional de Biomedicina) tem salário médio de apenas R$ 3.268/mês — menos da metade do engenheiro biomédico. A amostra, porém, é muito maior: 18.736 profissionais, indicando um mercado mais amplo mas com remuneração inferior.

Leia também: Salário do Engenheiro Biomédico: dados atualizados por nível e região

11. Mercado de trabalho para Engenheiros Biomédicos

O mercado de trabalho em Engenharia Biomédica no Brasil apresenta um paradoxo interessante: a amostra formal de profissionais registrados como "Engenheiro Biomédico" no CAGED é pequena (137 movimentações em 12 meses), mas o setor que os emprega — dispositivos médicos, hospitais, healthtechs — movimenta bilhões e gera centenas de milhares de vagas.

Isso acontece porque muitos engenheiros biomédicos são contratados sob títulos como "engenheiro clínico", "engenheiro de aplicação", "engenheiro de produto", "especialista em assuntos regulatórios" ou "desenvolvedor de software médico", que não aparecem na CBO 2143-80.

Indicadores de demanda

  • 76% das empresas do setor de dispositivos médicos projetam alta nas vendas
  • 52% planejam novas contratações
  • +50% de aumento nas contratações de bioengenheiros entre 2024 e 2025
  • 5.979 novas vagas criadas na indústria de dispositivos médicos em 2024
  • O cargo de engenheiro biomédico é classificado como de alta demanda e baixa oferta

Onde encontrar vagas

As melhores fontes de vagas específicas para engenheiros biomédicos são: LinkedIn (filtrar por "engenheiro biomédico", "engenheiro clínico", "biomedical engineer"), portais de emprego das multinacionais (Philips, GE Healthcare, Siemens Healthineers, Medtronic), o Job Board da BMES (para oportunidades internacionais), grupos da comunidade de engenharia clínica (ABEClin) e plataformas como Vagas.com e Indeed.

Leia também: Mercado de trabalho em Engenharia Biomédica: vagas, tendências e oportunidades

12. O mercado de dispositivos médicos no Brasil

O setor de dispositivos médicos é o principal empregador de engenheiros biomédicos no Brasil — e seus números impressionam.

Dados-chave (2024)

Indicador Valor
Valor da produção industrial R$ 26,1 bilhões
Produção nacional US$ 3,25 bilhões (+3,1%)
Empregos diretos (indústria) 85.078
Empregos totais (indústria + comércio) 152.371
Novas vagas criadas em 2024 5.979
Exportações US$ 1,17 bilhão (+24,6%)
Importações US$ 9,79 bilhões
Déficit comercial US$ 8,62 bilhões
Crescimento do consumo +11,5%

O mercado total de dispositivos médicos no Brasil foi estimado em US$ 15,28 bilhões em 2024, com projeção de atingir US$ 25 bilhões até 2032 (CAGR de 6,4%).

O déficit comercial de US$ 8,62 bilhões mostra uma forte dependência de importações, mas também aponta uma oportunidade enorme para a indústria nacional e para engenheiros biomédicos que atuem no desenvolvimento de tecnologia local.

Leia também: O mercado de dispositivos médicos no Brasil: números e oportunidades

13. Empresas que contratam Engenheiros Biomédicos

Multinacionais com operação no Brasil

Empresa Área principal Presença no Brasil
Philips Healthcare Diagnóstico por imagem, monitoramento, informática em saúde €350 mi investidos desde 2007
GE Healthcare Imagem médica, monitoramento, biomanufatura Centro de pesquisa (US$ 250 mi); Brasil é 3º mercado global
Siemens Healthineers Imagem, diagnóstico laboratorial, saúde digital Fábrica em Joinville/SC (R$ 50 mi)
Medtronic Dispositivos cardíacos, neuromodulação, robótica cirúrgica Operações nacionais
Johnson & Johnson Dispositivos cirúrgicos, ortopedia Forte presença
Boston Scientific Cardiologia, endoscopia Parceira da SBEB em prêmio de inovação
Stryker Ortopedia, equipamentos cirúrgicos Operações nacionais
BD Diagnóstico, sistemas de infusão Operações nacionais

Empresas nacionais de destaque

Empresa Sede Área Por que é relevante
Fanem São Paulo/SP Neonatologia Fundada em 1924; pioneira; multinacional brasileira
Instramed Porto Alegre/RS Monitoramento cardíaco Exporta para 30+ países
Lifemed Pelotas/RS Equipamentos hospitalares Presente em 2.000+ hospitais
Magnamed Cotia/SP Ventilação pulmonar Fundada por 3 engenheiros; exporta para 40+ países
BMR Medical Curitiba/PR Oncologia e cirurgia Certificações FDA, CE e ANVISA

Leia também: Empresas de Engenharia Biomédica no Brasil: multinacionais e nacionais

14. Startups e healthtechs no Brasil

O Brasil é líder absoluto em healthtechs na América Latina, concentrando 64,8% de todas as startups de saúde da região. Este ecossistema representa uma das maiores oportunidades de carreira para engenheiros biomédicos empreendedores ou que buscam ambientes de inovação acelerada.

Números do ecossistema (2024)

Indicador Valor
Healthtechs mapeadas no Brasil 1.919 (Tracxn)
Com funding 265
Série A ou superior 80
Novas fundações/ano (média) 118
Investimento em healthtechs na AL US$ 253,7 milhões (+37,6% vs. 2023)
Healthtechs que usam IA 20% (era 14% dois anos antes)

Startups medtech de destaque

Startup Sede Área O que faz
brain4care São Carlos/SP Neuromonitoramento Monitoramento não invasivo de pressão intracraniana; 80+ publicações; clearance FDA
Neomed São Paulo/SP Cardiologia/IA Plataforma de ECGs com IA; 150+ hospitais
Magnamed Cotia/SP Ventilação Ventiladores exportados para 40+ países
Harpia Health São José dos Campos/SP Radiologia/IA Plataforma Delfos para imagens médicas

Hubs e aceleradoras

O Eretz.bio (Hospital Albert Einstein) já acelerou mais de 150 startups. O Hub InovaHC (HCFMUSP) abriga 30+ startups residentes. O Horizontes Hub (Unimed-BH) dispõe de R$ 60 milhões para investir em 4 anos. O SUPERA Parque (Ribeirão Preto) reúne 74 empresas com laboratórios acreditados pelo INMETRO.

Leia também: Healthtechs no Brasil: o ecossistema de startups de saúde

15. Regulamentação profissional: CONFEA/CREA

O Engenheiro Biomédico é regulamentado pelo sistema CONFEA/CREA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia / Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia), com base na Lei 5.194/1966. Para exercer legalmente a profissão, é obrigatório o registro no CREA do estado em que atua.

Marco regulatório

A regulamentação se sustenta em três pilares:

Decisão Plenária PL-0034/2008 — Inseriu o título "Engenheiro Biomédico" na Tabela de Títulos Profissionais do CONFEA, com código 121-12-00, classificado no grupo Engenharia, modalidade Eletricista.

Resolução CONFEA nº 1.103/2018 — Publicada no DOU em 8 de agosto de 2018, permanece em pleno vigor sem emendas até fevereiro de 2026. Define as atividades e competências profissionais em três campos: (I) dispositivos para assistência à motricidade e função de órgãos; (II) instrumentos e equipamentos elétricos/eletrônicos para tecnologias em saúde; (III) dispositivos médico-hospitalares para diagnóstico e terapia.

CBO 2143-80 (2022) — O Ministério do Trabalho incluiu oficialmente o "Engenheiro Biomédico" na Classificação Brasileira de Ocupações, com o sinônimo oficial "Engenheiro Clínico".

Como se registrar no CREA

O processo é direto: ao concluir a graduação em Engenharia Biomédica em instituição reconhecida pelo MEC, o profissional solicita registro no CREA do estado onde pretende atuar. Todos os 27 CREAs estaduais processam o registro sem restrição. O profissional registrado pode emitir ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e se beneficia do piso salarial legal da Lei 4.950-A/1966.

Leia também: Como se registrar no CREA como Engenheiro Biomédico: passo a passo

16. ANVISA e dispositivos médicos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é responsável pela regulação de todo o ciclo de vida dos dispositivos médicos no Brasil. Engenheiros biomédicos que atuam na indústria ou em assuntos regulatórios lidam diariamente com as normas da agência.

Classificação por risco

A RDC 751/2022 define quatro classes:

Classe Risco Exemplos Processo
I Baixo Luvas, curativos, estetoscópios Notificação simplificada
II Médio-baixo Agulhas, seringas, equipamentos de fisioterapia Notificação
III Médio-alto Ventiladores pulmonares, implantes ortopédicos Registro
IV Alto Stents, marcapassos, válvulas cardíacas Registro

O registro tem validade de 10 anos e segue a estrutura do IMDRF (International Medical Device Regulators Forum).

Outras regulamentações essenciais

  • RDC 665/2022 — Boas Práticas de Fabricação (BPF)
  • RDC 848/2024 — Requisitos essenciais de segurança e desempenho
  • RDC 657/2022 — Software como Dispositivo Médico (SaMD)
  • RDC 67/2009 — Tecnovigilância

Leia também: ANVISA e dispositivos médicos: guia completo de regulamentação

17. Normas técnicas que todo Engenheiro Biomédico precisa conhecer

Quatro famílias de normas formam o arcabouço técnico essencial:

ABNT NBR IEC 60601 — A "bíblia" dos equipamentos eletromédicos. A Parte 1 define requisitos gerais de segurança e desempenho essencial. Normas particulares (60601-2-XX) cobrem tipos específicos de equipamentos.

ISO 13485 — Sistema de gestão da qualidade específico para dispositivos médicos. Obrigatória para fabricantes que buscam certificação e acesso a mercados regulados.

ISO 14971 — Gerenciamento de risco para dispositivos médicos. Define o processo de identificação de perigos, estimativa de risco, avaliação e controle.

IEC 62366 — Engenharia de usabilidade para dispositivos médicos, garantindo que os equipamentos sejam seguros e intuitivos para os usuários finais.

Leia também: Normas técnicas essenciais para Engenheiros Biomédicos: IEC 60601, ISO 13485 e mais

18. Pesquisa e centros de excelência no Brasil

A pesquisa brasileira em Engenharia Biomédica tem reconhecimento internacional, com centros que publicam em periódicos de alto impacto e desenvolvem tecnologias patenteadas.

Principais centros de pesquisa

PEB/COPPE/UFRJ — O programa-mãe da área no Brasil. Conceito CAPES 6 (excelência). Linhas em processamento de sinais, engenharia pulmonar, ultrassom e instrumentação biomédica. Já formou 509+ mestres e 165+ doutores.

CEB/UNICAMP — Mais de 40 anos de atuação. O MICLab desenvolve técnicas de aceleração de ressonância magnética em até 4x com IA.

LEB/USP — Fundado em 1981. Possui 8 linhas de pesquisa e a primeira Divisão de Ensaios e Normativos em universidade pública para avaliação de equipamentos médicos.

PPGEB/UFPE — Lidera o projeto Saúde Inteligente (R$ 14,7 milhões da FINEP) para IA e IoT no HC-UFPE.

CIIA-Saúde/UFMG — Reúne 8 instituições em IA para saúde. Publicou na Nature Communications sobre diagnóstico cardiovascular. O Centro de Telessaúde do HC-UFMG analisa ~4.000 ECGs por dia usando IA.

Financiamento para pesquisa

Agência/Programa O que oferece
EMBRAPII R$ 150 milhões para saúde; parceria com Min. da Saúde; 233 empresas e 263 projetos apoiados
FINEP Crédito até R$ 250 milhões; Programa Inova Saúde (R$ 3,6 bi entre 2013-2017)
FAPESP (PIPE) Até R$ 200 mil (Fase 1) + R$ 1 milhão (PIPE Invest); 1.461+ projetos apoiados
CNPq Bolsas de pesquisa e Diretório de Grupos
Nova Indústria Brasil R$ 300 bilhões até 2026; saúde como setor estratégico

Leia também: Centros de pesquisa em Engenharia Biomédica no Brasil: onde se faz ciência

19. Tendências e futuro da Engenharia Biomédica (2025-2030)

A Engenharia Biomédica está no centro de algumas das transformações mais profundas da saúde contemporânea. Seis tendências definirão a próxima década:

19.1. Inteligência Artificial incorporada ao cuidado

A IA deixou de ser promessa para tornar-se realidade operacional. O mercado de IA em saúde no Brasil tem projeção de US$ 3,6 bilhões até 2030 (CAGR de 46,22%). Empresas como Neuralmed (radiologia), Robô Laura (predição de sepse) e Portal Telemedicina (92% de acurácia na detecção de pneumonia) já operam em escala.

19.2. Robótica cirúrgica em expansão

O Brasil possui mais de 150 plataformas Da Vinci instaladas e 40 no SUS. O marco mais relevante de 2025 foi a aprovação pela ANS da prostatectomia radical assistida por robô como primeiro procedimento robótico de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, vigente a partir de abril de 2026.

19.3. Telemedicina consolidada

Mais de 30 milhões de consultas remotas foram realizadas no Brasil em 2023. O mercado de telemedicina projeta atingir US$ 6,19 bilhões até 2030 (CAGR de 19,2%). A Lei 14.510/2022 consolidou o marco legal.

19.4. Wearables e IoT médico

Dispositivos vestíveis de saúde representam um mercado global crescendo a 18,5% ao ano. No Brasil, a Anvisa aprovou em 2025 a detecção de apneia do sono pelo Galaxy Watch. A integração de wearables com sistemas hospitalares cria demanda por engenheiros biomédicos que dominem interoperabilidade e processamento de dados em tempo real.

19.5. Bioimpressão 3D e engenharia de tecidos

Empresas brasileiras como 3D4U (planejamento cirúrgico), Formula3D (medicamentos personalizados) e 3DBS (bioimpressão, financiada pelo PIPE-FAPESP) representam um ecossistema nascente.

19.6. Software como Dispositivo Médico (SaMD)

A RDC 657/2022 da ANVISA criou um framework regulatório específico para softwares que funcionam como dispositivos médicos — desde apps de diagnóstico até algoritmos de IA. Esta é uma área de crescimento explosivo que combina engenharia de software com conhecimento regulatório médico.

Leia também: Tendências e futuro da Engenharia Biomédica: o que esperar até 2030

20. Engenharia Biomédica no mundo

Para contextualizar a realidade brasileira, vale olhar para o cenário internacional — especialmente os Estados Unidos, que possuem o maior e mais maduro ecossistema da área.

Comparativo Brasil x Estados Unidos

Dimensão Brasil Estados Unidos
Cursos de graduação 27 200+ (acreditados ABET)
Mercado de dispositivos US$ 15 bi US$ 180+ bi
Salário médio anual ~R$ 104 mil (~US$ 18 mil) ~US$ 100 mil
Principal regulador ANVISA FDA (CDRH)
Sociedade profissional SBEB BMES (6.700+ membros) + IEEE EMBS (12.000+ membros)
Financiamento público EMBRAPII, FINEP, FAPESP, CNPq NIH/NIBIB (US$ 440 mi/ano)
Healthtechs 1.919 10.000+

Leia também: Engenharia Biomédica nos EUA vs. Brasil: comparativo completo

21. Perguntas frequentes sobre Engenharia Biomédica

O que faz um engenheiro biomédico?

O engenheiro biomédico projeta, desenvolve, testa e mantém equipamentos, dispositivos, softwares e sistemas usados em saúde — desde ventiladores pulmonares e próteses até algoritmos de IA para diagnóstico por imagem. Pode atuar em hospitais (engenharia clínica), indústria de dispositivos médicos, startups de saúde, órgãos reguladores (ANVISA) e centros de pesquisa.

Qual a diferença entre Engenharia Biomédica e Biomedicina?

São profissões distintas. A Engenharia Biomédica é uma engenharia (formação em exatas, regulada pelo CREA) focada em criar tecnologias para saúde. A Biomedicina é uma profissão de saúde (formação em biológicas, regulada pelo CFBM) focada em análises clínicas e diagnóstico. O salário médio do engenheiro biomédico (R$ 8.658/mês) é mais que o dobro do biomédico (R$ 3.268/mês).

Quanto ganha um engenheiro biomédico?

Dados do CAGED/MTE de 2026 indicam salário médio de R$ 8.658/mês. Profissionais juniores ganham em média R$ 7.659, plenos R$ 10.246 e seniores R$ 13.262. Em empresas de grande porte, o salário sênior pode chegar a R$ 16.795/mês.

Onde estudar Engenharia Biomédica?

O Brasil tem 27 cursos, entre universidades públicas (UFABC, UFPE, UFU, UFRN, UFPA, UFSJ, UNIFESP, UFRB, UFNT) e privadas (PUC-PR com nota 5 no MEC, INATEL, Albert Einstein, UNIVAP, PUC-SP, entre outras). A PUC-PR oferece dupla titulação com Portugal.

Quanto tempo dura o curso?

5 anos (10 semestres), com carga mínima de 3.600 horas, estágio obrigatório e TCC. É oferecido predominantemente na modalidade presencial e integral.

Engenharia Biomédica tem CREA?

Sim. O engenheiro biomédico é registrado no CONFEA/CREA desde 2008, com atribuições detalhadas pela Resolução 1.103/2018 e CBO 2143-80 reconhecido pelo Ministério do Trabalho em 2022. O registro é obrigatório para o exercício legal da profissão.

O curso é difícil?

Como toda engenharia, exige dedicação — especialmente em cálculo, física e eletrônica nos primeiros anos. O diferencial é que, a partir do 3º ano, as disciplinas se tornam fortemente aplicadas à saúde, o que motiva estudantes com vocação para a área. A nota de corte média no SiSU é de 667,76 pontos.

Engenharia Biomédica tem emprego?

Sim, e em crescimento. O setor de dispositivos médicos gerou 5.979 novas vagas em 2024, as contratações de bioengenheiros cresceram 50% em um ano, e 52% das empresas planejam novas contratações. Áreas como IA em saúde, robótica cirúrgica e saúde digital estão em expansão acelerada.

Vale a pena fazer Engenharia Biomédica?

Para quem tem afinidade com matemática, física e tecnologia e deseja aplicar essas habilidades para impactar diretamente a vida das pessoas, a Engenharia Biomédica é uma das carreiras mais promissoras do Brasil. O salário é competitivo, o mercado está em expansão, e as tendências tecnológicas (IA, robótica, telemedicina) apontam para uma demanda crescente.

Quais são as melhores faculdades?

Em universidades públicas, a UFABC (125 vagas, ingresso via BC&T), UFPE (pioneira) e UFU são as mais reconhecidas. Em privadas, a PUC-PR possui nota máxima (5) no MEC e oferece dupla titulação internacional. A Faculdade Albert Einstein tem a infraestrutura de um dos melhores hospitais da América Latina.

Eventos da área

O principal evento da Engenharia Biomédica no Brasil é o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB), organizado bienalmente pela SBEB desde 1975. A 30ª edição acontecerá de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026 em Fortaleza/CE, comemorando os 50 anos da SBEB.

Outros eventos relevantes: Feira Hospitalar (maior feira de saúde da América Latina, anual em São Paulo), Arena de Engenharia Clínica da ABEClin, IEEE EMBC (maior evento internacional da área) e congressos da IFMBE.

Leia também: Calendário de eventos de Engenharia Biomédica 2026: congressos, feiras e conferências

Entidades e associações profissionais

Entidade O que faz
SBEB Sociedade acadêmico-profissional; organiza o CBEB; publica a revista Research on Biomedical Engineering
ABEClin Associação de Engenharia Clínica; Arena na Feira Hospitalar; Prêmio João Pedroso
ABIMO Associação da indústria de dispositivos médicos; 300+ associados
ABIMED Associação da indústria de tecnologia para saúde; ~200 empresas
ABIIS Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde
CONFEA/CREA Regulação e fiscalização profissional

Glossário rápido

Termo Significado
ART Anotação de Responsabilidade Técnica (documento obrigatório emitido via CREA)
BPF Boas Práticas de Fabricação (RDC 665/2022)
CBO Classificação Brasileira de Ocupações
CDRH Center for Devices and Radiological Health (equivalente da ANVISA nos EUA, parte da FDA)
IEC 60601 Norma internacional para segurança de equipamentos eletromédicos
IMDRF International Medical Device Regulators Forum
IoMT Internet of Medical Things (Internet das Coisas Médicas)
ISO 13485 Sistema de gestão da qualidade para dispositivos médicos
ISO 14971 Gerenciamento de risco para dispositivos médicos
PACS/RIS Picture Archiving and Communication System / Radiology Information System
PEP Prontuário Eletrônico do Paciente
SaMD Software as a Medical Device (Software como Dispositivo Médico)
Tecnovigilância Monitoramento de eventos adversos de dispositivos médicos no mercado

Fontes e metodologia

Este artigo consolida dados de fontes primárias verificáveis:

  • Salários: CAGED/MTE via Portal Salário (CBO 2143-80 e 2011-05), fevereiro de 2026
  • Cursos: SBEB, Censo da Educação Superior/INEP, e-MEC
  • Mercado de dispositivos: ABIMO, ABIIS (Boletim Econômico), Fortune Business Insights
  • Healthtechs: Tracxn, Distrito HealthTech Report, Liga Ventures
  • Regulamentação: CONFEA (Resolução 1.103/2018), ANVISA (RDCs), MTE (CBO)
  • Notas de corte: SiSU/MEC 2025 via Quero Bolsa e StudyMaps
  • Tendências: TIC Saúde 2024 (CGI.br), PwC, SBEB, Saúde Digital News, ABIMO
  • Internacional: Bureau of Labor Statistics (BLS), BMES, IEEE EMBS, FDA CDRH, ABET

Todos os dados são verificáveis nas fontes originais. O artigo é atualizado semestralmente. Última atualização: fevereiro de 2026.

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