A Engenharia Biomédica é a área da engenharia que aplica princípios de matemática, física, computação e ciências biológicas para criar tecnologias que salvam vidas. Dos ventiladores pulmonares que mantêm pacientes respirando nas UTIs aos algoritmos de inteligência artificial que detectam tumores em exames de imagem, passando por próteses inteligentes e robôs cirúrgicos — tudo isso é engenharia biomédica.
No Brasil, a área vive um momento de expansão acelerada: são 27 cursos de graduação ativos, um mercado de dispositivos médicos que movimenta R$ 26,1 bilhões por ano, salário médio de R$ 8.658/mês (podendo ultrapassar R$ 16 mil para profissionais seniores) e mais de 1.900 healthtechs que posicionam o país como líder na América Latina em inovação em saúde.
Se você quer entender o que faz um engenheiro biomédico, quanto ganha, onde estudar, como é o mercado de trabalho e qual o futuro dessa profissão, este é o guia mais completo do Brasil sobre o tema.
1. O que é Engenharia Biomédica
A Engenharia Biomédica — também chamada de Bioengenharia em alguns contextos — é o campo da engenharia dedicado a aplicar métodos e tecnologias de engenharia à solução de problemas em medicina e biologia. Na prática, isso significa projetar, desenvolver, testar e manter equipamentos, dispositivos, softwares e sistemas que são usados em hospitais, clínicas, laboratórios e pela própria população para cuidar da saúde.
O engenheiro biomédico é, antes de tudo, um engenheiro. Sua formação parte de bases sólidas em cálculo, física, eletrônica e computação — as mesmas de um engenheiro elétrico ou mecânico. O diferencial é que todas essas ferramentas são direcionadas para aplicações em saúde: desde projetar um monitor de sinais vitais até desenvolver um algoritmo de inteligência artificial capaz de interpretar radiografias de tórax.
Uma breve história
A Engenharia Biomédica como disciplina acadêmica formalizada surgiu nos Estados Unidos na década de 1960, quando universidades como Johns Hopkins, Duke e MIT começaram a oferecer programas específicos.
No Brasil, a história começa em 1971, quando o Programa de Engenharia Biomédica (PEB) foi criado na COPPE/UFRJ como o 10º programa da instituição. Em 1975, a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) foi fundada.
A graduação específica só chegou 30 anos depois: o primeiro curso de bacharelado em Engenharia Biomédica foi criado pela UNIVAP (São José dos Campos/SP) em 2001. De 2001 a 2024, o número de cursos cresceu de 2 para 27 — um dos crescimentos mais acelerados entre todas as engenharias no país.
Leia também: História da Engenharia Biomédica no Brasil: da COPPE/UFRJ aos 27 cursos
Marcos históricos fundamentais:
- 1971 — Criação do PEB/COPPE/UFRJ (primeiro programa de pós-graduação)
- 1975 — Fundação da SBEB
- 1982 — Criação do Centro de Engenharia Biomédica (CEB) da UNICAMP e lançamento da Revista Brasileira de Engenharia Biomédica
- 2001 — Primeiros cursos de graduação (UNIVAP e UFPE)
- 2007 — CONFEA/CREA regulamenta o exercício profissional
- 2008 — Título "Engenheiro Biomédico" inserido na Tabela de Títulos Profissionais do CONFEA
- 2018 — Resolução CONFEA 1.103 detalha as atribuições profissionais
- 2022 — Ministério do Trabalho reconhece oficialmente a profissão (CBO 2143-80)
2. O que faz um Engenheiro Biomédico
O dia a dia do engenheiro biomédico varia enormemente conforme a área de atuação escolhida, mas as atividades centrais incluem:
No hospital (engenharia clínica): gerenciar o parque de equipamentos médicos, coordenar manutenções preventivas e corretivas, avaliar novas aquisições, garantir a conformidade com normas de segurança (IEC 60601), treinar equipes clínicas no uso de equipamentos e atuar na interface entre tecnologia e cuidado ao paciente. O Brasil possui mais de 6.500 hospitais, cada um demandando gestão tecnológica.
Na indústria de dispositivos médicos: projetar e desenvolver novos equipamentos e dispositivos, conduzir testes de segurança e desempenho, preparar documentação técnica para registro na ANVISA, gerenciar a qualidade conforme ISO 13485 e coordenar assistência técnica.
Em pesquisa e desenvolvimento: criar algoritmos de inteligência artificial para análise de imagens médicas, desenvolver biomateriais e próteses, pesquisar novas técnicas de imageamento, trabalhar com bioimpressão 3D e engenharia de tecidos.
Na área regulatória: preparar dossiês técnicos para registro de dispositivos médicos na ANVISA, realizar análises de risco conforme ISO 14971, implementar e auditar sistemas de gestão de qualidade e monitorar a tecnovigilância de produtos no mercado.
Em saúde digital e startups: desenvolver softwares médicos, plataformas de telemedicina, aplicativos de monitoramento de saúde, sistemas de prontuário eletrônico e soluções baseadas em IA para diagnóstico e tratamento.
Leia também: O que faz um Engenheiro Biomédico: dia a dia, atividades e perfil profissional
3. Áreas de atuação da Engenharia Biomédica
A Engenharia Biomédica é uma das profissões com maior diversidade de áreas de atuação. Abaixo, detalhamos cada uma delas.
3.1. Engenharia Clínica
A área que mais absorve engenheiros biomédicos no Brasil. O engenheiro clínico é o profissional responsável pela gestão de tecnologia em saúde dentro de hospitais e clínicas: seleciona, adquire, instala, calibra, faz manutenção e acompanha o desempenho de todos os equipamentos médicos.
3.2. Instrumentação Biomédica
Projeto e desenvolvimento de equipamentos de medição de variáveis biológicas: eletrocardiógrafos (ECG), eletroencefalógrafos (EEG), eletromiógrafos (EMG), oxímetros de pulso, monitores de pressão, sensores implantáveis, transdutores e circuitos de condicionamento de sinais biológicos.
3.3. Processamento de Sinais e Imagens Médicas
Desenvolvimento de algoritmos e softwares para análise de sinais biomédicos (ECG, EEG, EMG) e imagens médicas (ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassom, raio-X, PET-CT). Inclui técnicas de filtragem, reconhecimento de padrões, segmentação de imagens, reconstrução 3D e deep learning aplicado ao diagnóstico.
3.4. Biomecânica e Engenharia de Reabilitação
Estudo das forças e movimentos do corpo humano aplicado ao projeto de próteses, órteses, exoesqueletos, cadeiras de rodas motorizadas, tecnologias assistivas, implantes ortopédicos e equipamentos de fisioterapia.
3.5. Biomateriais e Engenharia de Tecidos
Desenvolvimento de materiais biocompatíveis para implantes (titânio, cerâmicas, polímeros, hidrogéis), scaffolds para crescimento celular, pele artificial, enxertos vasculares, liberação controlada de fármacos e bioimpressão 3D de tecidos e órgãos.
3.6. Informática em Saúde
Projeto de sistemas de informação hospitalar (HIS), prontuário eletrônico do paciente (PEP), sistemas PACS/RIS para imagens médicas, interoperabilidade entre sistemas de saúde (padrões HL7 e FHIR), telemedicina e saúde digital.
3.7. Inteligência Artificial em Saúde
Uma das áreas de crescimento mais acelerado. Inclui machine learning e deep learning para diagnóstico por imagem, predição de doenças, análise genômica, processamento de linguagem natural para prontuários, chatbots médicos e sistemas de apoio à decisão clínica. No Brasil, 17% dos médicos já utilizam IA generativa na rotina clínica e 20% das healthtechs incorporam IA em seus produtos.
3.8. Engenharia Neural e Neuroengenharia
Interface cérebro-computador (BCI), estimulação cerebral profunda, neuromodulação, neuroimagem funcional, neuropróteses, implantes cocleares e retinianos, e mapeamento cerebral.
3.9. Robótica Médica e Cirúrgica
Projeto e operação de robôs para cirurgia minimamente invasiva (como o Da Vinci), robôs de reabilitação, exoesqueletos, sistemas de telepresença médica e robôs para esterilização e logística hospitalar. O Brasil conta com mais de 150 sistemas Da Vinci instalados e 40 operando no SUS.
3.10. Regulação e Assuntos Regulatórios
Profissionais especializados no registro e certificação de dispositivos médicos junto à ANVISA (no Brasil), FDA (EUA) ou organismos notificados (Europa). Atuam em análise de risco, testes de segurança, conformidade normativa e tecnovigilância.
3.11. Áreas Emergentes
Nanotecnologia em saúde, bioimpressão 3D (fabricação de tecidos e órgãos), gêmeos digitais em saúde, Internet das Coisas Médicas (IoMT), wearables de saúde, realidade aumentada e virtual para cirurgia e reabilitação, e computação quântica aplicada à descoberta de fármacos.
Leia também: Áreas de atuação da Engenharia Biomédica: guia completo com salários por área
4. Diferença entre Engenharia Biomédica e Biomedicina
Esta é uma das dúvidas mais pesquisadas por vestibulandos — e a confusão é compreensível, já que os nomes são parecidos. Mas Engenharia Biomédica e Biomedicina são profissões completamente distintas, com formações diferentes, conselhos reguladores diferentes e atuações que quase não se sobrepõem.
A forma mais direta de entender é: a Biomedicina identifica doenças; a Engenharia Biomédica cria as tecnologias que permitem identificá-las e tratá-las.
| Dimensão | Engenharia Biomédica | Biomedicina |
|---|---|---|
| Área do conhecimento | Ciências Exatas / Engenharias | Ciências Biológicas / Saúde |
| Foco | Tecnologia e equipamentos para saúde | Processos biológicos e doenças |
| Base curricular | Cálculo, Física, Eletrônica, Computação | Biologia, Química, Microbiologia |
| Duração | 5 anos (10 semestres) | 4 anos (8 semestres) |
| Conselho profissional | CONFEA/CREA | CFBM/CRBM |
| CBO | 2143-80 (Engenheiro Biomédico) | 2212-05 (Biomédico) |
| Salário médio (CAGED 2026) | R$ 8.658/mês | R$ 3.268/mês |
| O que faz | Projeta monitores, próteses, softwares de IA, ventiladores | Realiza exames laboratoriais, identifica patógenos, pesquisa fármacos |
| Onde trabalha | Indústria de equipamentos, hospitais (eng. clínica), startups, P&D | Laboratórios, hospitais (diagnóstico), clínicas de imagem |
| Piso salarial legal | Sim (Lei 4.950-A/1966) | Não (varia por estado e sindicato) |
Também é importante não confundir Engenharia Biomédica com Engenharia Clínica. A Engenharia Clínica é uma subárea da Engenharia Biomédica, focada na gestão de tecnologia hospitalar. Todo engenheiro clínico é (ou deveria ser) um engenheiro biomédico, mas nem todo engenheiro biomédico atua como engenheiro clínico.
Leia também: Engenharia Biomédica vs. Biomedicina: qual escolher? Comparativo completo
5. O curso de Engenharia Biomédica
O bacharelado em Engenharia Biomédica é um curso de 5 anos de duração (10 semestres), com carga horária mínima de 3.600 horas, oferecido predominantemente na modalidade presencial e em período integral. Exige estágio supervisionado obrigatório (mínimo de 160 a 168 horas) e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
A formação é genuinamente interdisciplinar — é um dos poucos cursos de engenharia em que o aluno estuda tanto Circuitos Elétricos e Programação quanto Anatomia Humana e Fisiologia.
Para quem é o curso?
O perfil ideal do estudante de Engenharia Biomédica combina:
- Afinidade com matemática e física (a base de qualquer engenharia)
- Interesse por biologia e saúde (o diferencial desta engenharia)
- Aptidão para programação e tecnologia (cada vez mais central)
- Motivação para criar soluções que impactem diretamente a vida das pessoas
O curso é difícil?
Sim — como qualquer engenharia, a Engenharia Biomédica exige dedicação significativa, especialmente nos primeiros dois anos, que concentram disciplinas de cálculo, álgebra linear, física e química. A diferença é que, a partir do terceiro ano, as disciplinas se tornam muito mais aplicadas e envolventes: Instrumentação Biomédica, Biomecânica, Processamento de Imagens Médicas, Inteligência Artificial.
Leia também: O curso de Engenharia Biomédica: o que esperar dos 5 anos de graduação
6. Grade curricular de Engenharia Biomédica
A grade se organiza em três grandes blocos, comuns à maioria das instituições:
Ciclo básico (1º ao 4º semestre)
- Cálculo Diferencial e Integral (1, 2 e 3)
- Álgebra Linear e Geometria Analítica
- Probabilidade e Estatística
- Física (Mecânica, Ondas, Eletromagnetismo, Óptica)
- Química Geral
- Anatomia Humana
- Bioquímica
- Fisiologia Humana
- Algoritmos e Programação
- Desenho Técnico
Disciplinas profissionalizantes (4º ao 8º semestre)
- Circuitos Elétricos
- Eletrônica Analógica e Digital
- Sinais e Sistemas
- Microprocessadores e Sistemas Embarcados
- Biofísica
- Fisiologia de Sistemas
- Instrumentação Biomédica
- Biomecânica
- Biomateriais e Biocompatibilidade
- Engenharia de Tecidos
- Processamento Digital de Sinais Biomédicos
- Processamento de Imagens Médicas
- Engenharia Clínica
- Informática em Saúde
- Modelagem de Sistemas Biomédicos
- Dispositivos Implantáveis e Próteses
- Metrologia Biomédica
- Regulação de Produtos para Saúde (ANVISA, IEC 60601)
- Inteligência Artificial aplicada à Saúde
Ênfases e áreas de concentração
Cada universidade organiza suas ênfases de forma diferente. A UFABC, por exemplo, estrutura o curso em quatro eixos: Sinais e Imagens, Biomecânica e Biomateriais, Sistemas Inteligentes e Instrumentação para Diagnóstico e Terapia.
Leia também: Grade curricular de Engenharia Biomédica: todas as disciplinas detalhadas
7. Onde estudar Engenharia Biomédica: todas as faculdades do Brasil
O Brasil conta com 27 cursos de graduação em Engenharia Biomédica cadastrados, distribuídos entre universidades públicas (federais e estaduais) e instituições privadas.
Universidades públicas
| Instituição | Cidade/UF | Tipo | Destaques |
|---|---|---|---|
| UFABC | São Bernardo do Campo/SP | Federal | 125 vagas; ingresso via BC&T; 3.720h |
| UFPE | Recife/PE | Federal | Pioneira entre as públicas (2001); conceito 4 MEC |
| UFU | Uberlândia/MG | Federal | Uma das primeiras federais na área |
| UFSJ | São João del-Rei/MG | Federal | Presencial |
| UFPA | Belém/PA | Federal | Única na região Norte |
| UFRN | Natal/RN | Federal | Nota máxima de ingresso de 814,67 no SiSU 2025 |
| UNIFESP | São José dos Campos/SP | Federal | Presencial |
| UFRB | Cruz das Almas/BA | Federal | Programa mais recente |
| UFNT | Tocantins | Federal | Programa mais recente |
Universidades privadas e confessionais
| Instituição | Cidade/UF | Destaques |
|---|---|---|
| UNIVAP | São José dos Campos/SP | Pioneira absoluta — primeiro curso do Brasil (2001) |
| PUC-PR | Curitiba/PR | Nota máxima (5) no MEC; dupla titulação com Portugal |
| PUC-SP | Sorocaba/SP | Metodologia PBL (aprendizado baseado em problemas) |
| PUC-Campinas | Campinas/SP | Criação recente |
| INATEL | Santa Rita do Sapucaí/MG | Referência em telecomunicações aplicadas à saúde |
| Faculdade Albert Einstein | São Paulo/SP | Infraestrutura do Hospital Albert Einstein |
| UNISINOS | São Leopoldo/RS | Oferta mais recente |
| UFN | Santa Maria/RS | Comunitária |
| FUMEC | Belo Horizonte/MG | Presencial |
| IBMR | Rio de Janeiro/RJ | Privada |
| USJT | São Paulo/SP | Privada |
| UNA | Belo Horizonte/MG | Privada |
| UNINTER | Curitiba/PR | Oferta EaD/semipresencial |
| FECAF | Taboão da Serra/SP | Privada |
| FACVEST | Lages/SC | Privada |
| UniAGES | Paripiranga/BA | Privada |
Mensalidades em instituições privadas variam de R$ 700 a R$ 2.500/mês (sem bolsa). Com programas de bolsas, é possível encontrar valores a partir de R$ 646/mês.
Dado importante: entre 45% e 50% das vagas totais já são oferecidas na modalidade EaD ou semipresencial. Se você valoriza formação prática em laboratórios e contato direto com equipamentos reais, priorize instituições com oferta presencial e boa infraestrutura.
Leia também: Todas as faculdades de Engenharia Biomédica no Brasil: guia completo
8. Notas de corte no SiSU 2025
Para ingressar em Engenharia Biomédica por uma universidade pública via SiSU, é necessário atingir notas competitivas no ENEM.
| Universidade | Nota de Corte (ampla concorrência) |
|---|---|
| UFU (Uberlândia/MG) | 754,24 |
| UFPE (Recife/PE) | 750,23 |
| UFRN (Natal/RN) | 715,53 |
| UFNT (Norte do Tocantins) | 708,19 |
| UFRB (Recôncavo da Bahia) | 410,60 |
A média nacional das notas de corte é de 667,76 pontos, o que posiciona Engenharia Biomédica como o 36º curso mais concorrido entre 88 cursos oferecidos pelo SiSU.
A UFABC não aparece com nota de corte direta porque utiliza ingresso via Bacharelado em Ciência e Tecnologia (BC&T), com seleção para a engenharia específica ocorrendo internamente após os primeiros semestres.
Leia também: Notas de corte de Engenharia Biomédica no SiSU: dados atualizados
9. Pós-graduação em Engenharia Biomédica
Para quem deseja seguir carreira em pesquisa, docência ou se especializar em áreas de ponta, o Brasil oferece 16 programas de pós-graduação stricto sensu em Engenharia Biomédica ou áreas correlatas.
Programas específicos em Engenharia Biomédica
| Instituição | Níveis | Conceito CAPES | Destaque |
|---|---|---|---|
| COPPE/UFRJ | Mestrado e Doutorado | 6 (Excelência) | Programa-mãe da área no Brasil; fundado em 1971; 509+ mestres e 165+ doutores formados |
| UFPE | Mestrado e Doutorado | 4–5 | Forte em IA, computação biomédica e informática em saúde |
| UFU | Mestrado e Doutorado | — | Instrumentação, processamento de sinais |
| UTFPR | Mestrado Profissional | 4 | Único mestrado profissional em EB no Sul |
| UFABC | Mestrado | — | Biomateriais, biomecânica, imagens médicas |
| UnB | Mestrado | — | Tecnologias em EB, computação inteligente |
| UMC | Mestrado e Doutorado | — | Engenharia biomédica aplicada |
Programas correlatos de alto nível
- USP — Escola Politécnica: PPG em Engenharia Elétrica com área de concentração em Engenharia Biomédica (LEB fundado em 1981)
- UNICAMP — FEEC: PPG em Engenharia Elétrica com área em EB; Centro de Engenharia Biomédica (CEB) criado em 1982
- USP São Carlos: PPG Interunidades em Bioengenharia (EESC/FMRP/IQSC)
- UFSC: PPG em Engenharia Elétrica via Instituto de Engenharia Biomédica (IEB-UFSC)
Leia também: Pós-graduação em Engenharia Biomédica: mestrado, doutorado e especialização
10. Quanto ganha um Engenheiro Biomédico: salários atualizados 2026
Os dados mais confiáveis sobre remuneração vêm do CAGED/MTE, consolidados pelo Portal Salário, com base no CBO 2143-80 (Engenheiro Biomédico). Os valores abaixo referem-se a fevereiro de 2026, considerando jornada de 40 horas semanais.
Visão geral
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Salário médio nacional | R$ 8.658/mês |
| Piso salarial | R$ 8.422/mês |
| Teto salarial | R$ 14.782/mês |
| Amostra | 137 profissionais (admitidos/desligados em 12 meses) |
Por nível de experiência
| Nível | Salário Médio |
|---|---|
| Júnior (até 4 anos) | R$ 7.659/mês |
| Pleno (4 a 6 anos) | R$ 10.246/mês |
| Sênior (6+ anos) | R$ 13.262/mês |
Por porte da empresa
O porte da empresa faz diferença significativa. Um engenheiro biomédico sênior em empresa de grande porte (500+ funcionários) recebe em média R$ 16.795/mês, enquanto em microempresa o valor cai para R$ 8.970/mês.
Setores mais bem remunerados
Os segmentos que oferecem os melhores salários são gestão de apoio à saúde (R$ 11.051 em média) e ensino superior (R$ 10.431), seguidos pela indústria de equipamentos médicos e setor regulatório.
Piso legal para engenheiros
A Lei 4.950-A/1966 estabelece um salário mínimo profissional para engenheiros vinculado ao salário mínimo nacional. Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621, o piso é de R$ 9.726/mês para jornada de 6 horas e R$ 14.589/mês para 8 horas diárias.
Comparação com o Biomédico (CBO 2212-05)
É importante reforçar a diferença salarial: o Biomédico (profissional de Biomedicina) tem salário médio de apenas R$ 3.268/mês — menos da metade do engenheiro biomédico. A amostra, porém, é muito maior: 18.736 profissionais, indicando um mercado mais amplo mas com remuneração inferior.
Leia também: Salário do Engenheiro Biomédico: dados atualizados por nível e região
11. Mercado de trabalho para Engenheiros Biomédicos
O mercado de trabalho em Engenharia Biomédica no Brasil apresenta um paradoxo interessante: a amostra formal de profissionais registrados como "Engenheiro Biomédico" no CAGED é pequena (137 movimentações em 12 meses), mas o setor que os emprega — dispositivos médicos, hospitais, healthtechs — movimenta bilhões e gera centenas de milhares de vagas.
Isso acontece porque muitos engenheiros biomédicos são contratados sob títulos como "engenheiro clínico", "engenheiro de aplicação", "engenheiro de produto", "especialista em assuntos regulatórios" ou "desenvolvedor de software médico", que não aparecem na CBO 2143-80.
Indicadores de demanda
- 76% das empresas do setor de dispositivos médicos projetam alta nas vendas
- 52% planejam novas contratações
- +50% de aumento nas contratações de bioengenheiros entre 2024 e 2025
- 5.979 novas vagas criadas na indústria de dispositivos médicos em 2024
- O cargo de engenheiro biomédico é classificado como de alta demanda e baixa oferta
Onde encontrar vagas
As melhores fontes de vagas específicas para engenheiros biomédicos são: LinkedIn (filtrar por "engenheiro biomédico", "engenheiro clínico", "biomedical engineer"), portais de emprego das multinacionais (Philips, GE Healthcare, Siemens Healthineers, Medtronic), o Job Board da BMES (para oportunidades internacionais), grupos da comunidade de engenharia clínica (ABEClin) e plataformas como Vagas.com e Indeed.
Leia também: Mercado de trabalho em Engenharia Biomédica: vagas, tendências e oportunidades
12. O mercado de dispositivos médicos no Brasil
O setor de dispositivos médicos é o principal empregador de engenheiros biomédicos no Brasil — e seus números impressionam.
Dados-chave (2024)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Valor da produção industrial | R$ 26,1 bilhões |
| Produção nacional | US$ 3,25 bilhões (+3,1%) |
| Empregos diretos (indústria) | 85.078 |
| Empregos totais (indústria + comércio) | 152.371 |
| Novas vagas criadas em 2024 | 5.979 |
| Exportações | US$ 1,17 bilhão (+24,6%) |
| Importações | US$ 9,79 bilhões |
| Déficit comercial | US$ 8,62 bilhões |
| Crescimento do consumo | +11,5% |
O mercado total de dispositivos médicos no Brasil foi estimado em US$ 15,28 bilhões em 2024, com projeção de atingir US$ 25 bilhões até 2032 (CAGR de 6,4%).
O déficit comercial de US$ 8,62 bilhões mostra uma forte dependência de importações, mas também aponta uma oportunidade enorme para a indústria nacional e para engenheiros biomédicos que atuem no desenvolvimento de tecnologia local.
Leia também: O mercado de dispositivos médicos no Brasil: números e oportunidades
13. Empresas que contratam Engenheiros Biomédicos
Multinacionais com operação no Brasil
| Empresa | Área principal | Presença no Brasil |
|---|---|---|
| Philips Healthcare | Diagnóstico por imagem, monitoramento, informática em saúde | €350 mi investidos desde 2007 |
| GE Healthcare | Imagem médica, monitoramento, biomanufatura | Centro de pesquisa (US$ 250 mi); Brasil é 3º mercado global |
| Siemens Healthineers | Imagem, diagnóstico laboratorial, saúde digital | Fábrica em Joinville/SC (R$ 50 mi) |
| Medtronic | Dispositivos cardíacos, neuromodulação, robótica cirúrgica | Operações nacionais |
| Johnson & Johnson | Dispositivos cirúrgicos, ortopedia | Forte presença |
| Boston Scientific | Cardiologia, endoscopia | Parceira da SBEB em prêmio de inovação |
| Stryker | Ortopedia, equipamentos cirúrgicos | Operações nacionais |
| BD | Diagnóstico, sistemas de infusão | Operações nacionais |
Empresas nacionais de destaque
| Empresa | Sede | Área | Por que é relevante |
|---|---|---|---|
| Fanem | São Paulo/SP | Neonatologia | Fundada em 1924; pioneira; multinacional brasileira |
| Instramed | Porto Alegre/RS | Monitoramento cardíaco | Exporta para 30+ países |
| Lifemed | Pelotas/RS | Equipamentos hospitalares | Presente em 2.000+ hospitais |
| Magnamed | Cotia/SP | Ventilação pulmonar | Fundada por 3 engenheiros; exporta para 40+ países |
| BMR Medical | Curitiba/PR | Oncologia e cirurgia | Certificações FDA, CE e ANVISA |
Leia também: Empresas de Engenharia Biomédica no Brasil: multinacionais e nacionais
14. Startups e healthtechs no Brasil
O Brasil é líder absoluto em healthtechs na América Latina, concentrando 64,8% de todas as startups de saúde da região. Este ecossistema representa uma das maiores oportunidades de carreira para engenheiros biomédicos empreendedores ou que buscam ambientes de inovação acelerada.
Números do ecossistema (2024)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Healthtechs mapeadas no Brasil | 1.919 (Tracxn) |
| Com funding | 265 |
| Série A ou superior | 80 |
| Novas fundações/ano (média) | 118 |
| Investimento em healthtechs na AL | US$ 253,7 milhões (+37,6% vs. 2023) |
| Healthtechs que usam IA | 20% (era 14% dois anos antes) |
Startups medtech de destaque
| Startup | Sede | Área | O que faz |
|---|---|---|---|
| brain4care | São Carlos/SP | Neuromonitoramento | Monitoramento não invasivo de pressão intracraniana; 80+ publicações; clearance FDA |
| Neomed | São Paulo/SP | Cardiologia/IA | Plataforma de ECGs com IA; 150+ hospitais |
| Magnamed | Cotia/SP | Ventilação | Ventiladores exportados para 40+ países |
| Harpia Health | São José dos Campos/SP | Radiologia/IA | Plataforma Delfos para imagens médicas |
Hubs e aceleradoras
O Eretz.bio (Hospital Albert Einstein) já acelerou mais de 150 startups. O Hub InovaHC (HCFMUSP) abriga 30+ startups residentes. O Horizontes Hub (Unimed-BH) dispõe de R$ 60 milhões para investir em 4 anos. O SUPERA Parque (Ribeirão Preto) reúne 74 empresas com laboratórios acreditados pelo INMETRO.
Leia também: Healthtechs no Brasil: o ecossistema de startups de saúde
15. Regulamentação profissional: CONFEA/CREA
O Engenheiro Biomédico é regulamentado pelo sistema CONFEA/CREA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia / Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia), com base na Lei 5.194/1966. Para exercer legalmente a profissão, é obrigatório o registro no CREA do estado em que atua.
Marco regulatório
A regulamentação se sustenta em três pilares:
Decisão Plenária PL-0034/2008 — Inseriu o título "Engenheiro Biomédico" na Tabela de Títulos Profissionais do CONFEA, com código 121-12-00, classificado no grupo Engenharia, modalidade Eletricista.
Resolução CONFEA nº 1.103/2018 — Publicada no DOU em 8 de agosto de 2018, permanece em pleno vigor sem emendas até fevereiro de 2026. Define as atividades e competências profissionais em três campos: (I) dispositivos para assistência à motricidade e função de órgãos; (II) instrumentos e equipamentos elétricos/eletrônicos para tecnologias em saúde; (III) dispositivos médico-hospitalares para diagnóstico e terapia.
CBO 2143-80 (2022) — O Ministério do Trabalho incluiu oficialmente o "Engenheiro Biomédico" na Classificação Brasileira de Ocupações, com o sinônimo oficial "Engenheiro Clínico".
Como se registrar no CREA
O processo é direto: ao concluir a graduação em Engenharia Biomédica em instituição reconhecida pelo MEC, o profissional solicita registro no CREA do estado onde pretende atuar. Todos os 27 CREAs estaduais processam o registro sem restrição. O profissional registrado pode emitir ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e se beneficia do piso salarial legal da Lei 4.950-A/1966.
Leia também: Como se registrar no CREA como Engenheiro Biomédico: passo a passo
16. ANVISA e dispositivos médicos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é responsável pela regulação de todo o ciclo de vida dos dispositivos médicos no Brasil. Engenheiros biomédicos que atuam na indústria ou em assuntos regulatórios lidam diariamente com as normas da agência.
Classificação por risco
A RDC 751/2022 define quatro classes:
| Classe | Risco | Exemplos | Processo |
|---|---|---|---|
| I | Baixo | Luvas, curativos, estetoscópios | Notificação simplificada |
| II | Médio-baixo | Agulhas, seringas, equipamentos de fisioterapia | Notificação |
| III | Médio-alto | Ventiladores pulmonares, implantes ortopédicos | Registro |
| IV | Alto | Stents, marcapassos, válvulas cardíacas | Registro |
O registro tem validade de 10 anos e segue a estrutura do IMDRF (International Medical Device Regulators Forum).
Outras regulamentações essenciais
- RDC 665/2022 — Boas Práticas de Fabricação (BPF)
- RDC 848/2024 — Requisitos essenciais de segurança e desempenho
- RDC 657/2022 — Software como Dispositivo Médico (SaMD)
- RDC 67/2009 — Tecnovigilância
Leia também: ANVISA e dispositivos médicos: guia completo de regulamentação
17. Normas técnicas que todo Engenheiro Biomédico precisa conhecer
Quatro famílias de normas formam o arcabouço técnico essencial:
ABNT NBR IEC 60601 — A "bíblia" dos equipamentos eletromédicos. A Parte 1 define requisitos gerais de segurança e desempenho essencial. Normas particulares (60601-2-XX) cobrem tipos específicos de equipamentos.
ISO 13485 — Sistema de gestão da qualidade específico para dispositivos médicos. Obrigatória para fabricantes que buscam certificação e acesso a mercados regulados.
ISO 14971 — Gerenciamento de risco para dispositivos médicos. Define o processo de identificação de perigos, estimativa de risco, avaliação e controle.
IEC 62366 — Engenharia de usabilidade para dispositivos médicos, garantindo que os equipamentos sejam seguros e intuitivos para os usuários finais.
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18. Pesquisa e centros de excelência no Brasil
A pesquisa brasileira em Engenharia Biomédica tem reconhecimento internacional, com centros que publicam em periódicos de alto impacto e desenvolvem tecnologias patenteadas.
Principais centros de pesquisa
PEB/COPPE/UFRJ — O programa-mãe da área no Brasil. Conceito CAPES 6 (excelência). Linhas em processamento de sinais, engenharia pulmonar, ultrassom e instrumentação biomédica. Já formou 509+ mestres e 165+ doutores.
CEB/UNICAMP — Mais de 40 anos de atuação. O MICLab desenvolve técnicas de aceleração de ressonância magnética em até 4x com IA.
LEB/USP — Fundado em 1981. Possui 8 linhas de pesquisa e a primeira Divisão de Ensaios e Normativos em universidade pública para avaliação de equipamentos médicos.
PPGEB/UFPE — Lidera o projeto Saúde Inteligente (R$ 14,7 milhões da FINEP) para IA e IoT no HC-UFPE.
CIIA-Saúde/UFMG — Reúne 8 instituições em IA para saúde. Publicou na Nature Communications sobre diagnóstico cardiovascular. O Centro de Telessaúde do HC-UFMG analisa ~4.000 ECGs por dia usando IA.
Financiamento para pesquisa
| Agência/Programa | O que oferece |
|---|---|
| EMBRAPII | R$ 150 milhões para saúde; parceria com Min. da Saúde; 233 empresas e 263 projetos apoiados |
| FINEP | Crédito até R$ 250 milhões; Programa Inova Saúde (R$ 3,6 bi entre 2013-2017) |
| FAPESP (PIPE) | Até R$ 200 mil (Fase 1) + R$ 1 milhão (PIPE Invest); 1.461+ projetos apoiados |
| CNPq | Bolsas de pesquisa e Diretório de Grupos |
| Nova Indústria Brasil | R$ 300 bilhões até 2026; saúde como setor estratégico |
Leia também: Centros de pesquisa em Engenharia Biomédica no Brasil: onde se faz ciência
19. Tendências e futuro da Engenharia Biomédica (2025-2030)
A Engenharia Biomédica está no centro de algumas das transformações mais profundas da saúde contemporânea. Seis tendências definirão a próxima década:
19.1. Inteligência Artificial incorporada ao cuidado
A IA deixou de ser promessa para tornar-se realidade operacional. O mercado de IA em saúde no Brasil tem projeção de US$ 3,6 bilhões até 2030 (CAGR de 46,22%). Empresas como Neuralmed (radiologia), Robô Laura (predição de sepse) e Portal Telemedicina (92% de acurácia na detecção de pneumonia) já operam em escala.
19.2. Robótica cirúrgica em expansão
O Brasil possui mais de 150 plataformas Da Vinci instaladas e 40 no SUS. O marco mais relevante de 2025 foi a aprovação pela ANS da prostatectomia radical assistida por robô como primeiro procedimento robótico de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, vigente a partir de abril de 2026.
19.3. Telemedicina consolidada
Mais de 30 milhões de consultas remotas foram realizadas no Brasil em 2023. O mercado de telemedicina projeta atingir US$ 6,19 bilhões até 2030 (CAGR de 19,2%). A Lei 14.510/2022 consolidou o marco legal.
19.4. Wearables e IoT médico
Dispositivos vestíveis de saúde representam um mercado global crescendo a 18,5% ao ano. No Brasil, a Anvisa aprovou em 2025 a detecção de apneia do sono pelo Galaxy Watch. A integração de wearables com sistemas hospitalares cria demanda por engenheiros biomédicos que dominem interoperabilidade e processamento de dados em tempo real.
19.5. Bioimpressão 3D e engenharia de tecidos
Empresas brasileiras como 3D4U (planejamento cirúrgico), Formula3D (medicamentos personalizados) e 3DBS (bioimpressão, financiada pelo PIPE-FAPESP) representam um ecossistema nascente.
19.6. Software como Dispositivo Médico (SaMD)
A RDC 657/2022 da ANVISA criou um framework regulatório específico para softwares que funcionam como dispositivos médicos — desde apps de diagnóstico até algoritmos de IA. Esta é uma área de crescimento explosivo que combina engenharia de software com conhecimento regulatório médico.
Leia também: Tendências e futuro da Engenharia Biomédica: o que esperar até 2030
20. Engenharia Biomédica no mundo
Para contextualizar a realidade brasileira, vale olhar para o cenário internacional — especialmente os Estados Unidos, que possuem o maior e mais maduro ecossistema da área.
Comparativo Brasil x Estados Unidos
| Dimensão | Brasil | Estados Unidos |
|---|---|---|
| Cursos de graduação | 27 | 200+ (acreditados ABET) |
| Mercado de dispositivos | US$ 15 bi | US$ 180+ bi |
| Salário médio anual | ~R$ 104 mil (~US$ 18 mil) | ~US$ 100 mil |
| Principal regulador | ANVISA | FDA (CDRH) |
| Sociedade profissional | SBEB | BMES (6.700+ membros) + IEEE EMBS (12.000+ membros) |
| Financiamento público | EMBRAPII, FINEP, FAPESP, CNPq | NIH/NIBIB (US$ 440 mi/ano) |
| Healthtechs | 1.919 | 10.000+ |
Leia também: Engenharia Biomédica nos EUA vs. Brasil: comparativo completo
21. Perguntas frequentes sobre Engenharia Biomédica
O que faz um engenheiro biomédico?
O engenheiro biomédico projeta, desenvolve, testa e mantém equipamentos, dispositivos, softwares e sistemas usados em saúde — desde ventiladores pulmonares e próteses até algoritmos de IA para diagnóstico por imagem. Pode atuar em hospitais (engenharia clínica), indústria de dispositivos médicos, startups de saúde, órgãos reguladores (ANVISA) e centros de pesquisa.
Qual a diferença entre Engenharia Biomédica e Biomedicina?
São profissões distintas. A Engenharia Biomédica é uma engenharia (formação em exatas, regulada pelo CREA) focada em criar tecnologias para saúde. A Biomedicina é uma profissão de saúde (formação em biológicas, regulada pelo CFBM) focada em análises clínicas e diagnóstico. O salário médio do engenheiro biomédico (R$ 8.658/mês) é mais que o dobro do biomédico (R$ 3.268/mês).
Quanto ganha um engenheiro biomédico?
Dados do CAGED/MTE de 2026 indicam salário médio de R$ 8.658/mês. Profissionais juniores ganham em média R$ 7.659, plenos R$ 10.246 e seniores R$ 13.262. Em empresas de grande porte, o salário sênior pode chegar a R$ 16.795/mês.
Onde estudar Engenharia Biomédica?
O Brasil tem 27 cursos, entre universidades públicas (UFABC, UFPE, UFU, UFRN, UFPA, UFSJ, UNIFESP, UFRB, UFNT) e privadas (PUC-PR com nota 5 no MEC, INATEL, Albert Einstein, UNIVAP, PUC-SP, entre outras). A PUC-PR oferece dupla titulação com Portugal.
Quanto tempo dura o curso?
5 anos (10 semestres), com carga mínima de 3.600 horas, estágio obrigatório e TCC. É oferecido predominantemente na modalidade presencial e integral.
Engenharia Biomédica tem CREA?
Sim. O engenheiro biomédico é registrado no CONFEA/CREA desde 2008, com atribuições detalhadas pela Resolução 1.103/2018 e CBO 2143-80 reconhecido pelo Ministério do Trabalho em 2022. O registro é obrigatório para o exercício legal da profissão.
O curso é difícil?
Como toda engenharia, exige dedicação — especialmente em cálculo, física e eletrônica nos primeiros anos. O diferencial é que, a partir do 3º ano, as disciplinas se tornam fortemente aplicadas à saúde, o que motiva estudantes com vocação para a área. A nota de corte média no SiSU é de 667,76 pontos.
Engenharia Biomédica tem emprego?
Sim, e em crescimento. O setor de dispositivos médicos gerou 5.979 novas vagas em 2024, as contratações de bioengenheiros cresceram 50% em um ano, e 52% das empresas planejam novas contratações. Áreas como IA em saúde, robótica cirúrgica e saúde digital estão em expansão acelerada.
Vale a pena fazer Engenharia Biomédica?
Para quem tem afinidade com matemática, física e tecnologia e deseja aplicar essas habilidades para impactar diretamente a vida das pessoas, a Engenharia Biomédica é uma das carreiras mais promissoras do Brasil. O salário é competitivo, o mercado está em expansão, e as tendências tecnológicas (IA, robótica, telemedicina) apontam para uma demanda crescente.
Quais são as melhores faculdades?
Em universidades públicas, a UFABC (125 vagas, ingresso via BC&T), UFPE (pioneira) e UFU são as mais reconhecidas. Em privadas, a PUC-PR possui nota máxima (5) no MEC e oferece dupla titulação internacional. A Faculdade Albert Einstein tem a infraestrutura de um dos melhores hospitais da América Latina.
Eventos da área
O principal evento da Engenharia Biomédica no Brasil é o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB), organizado bienalmente pela SBEB desde 1975. A 30ª edição acontecerá de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026 em Fortaleza/CE, comemorando os 50 anos da SBEB.
Outros eventos relevantes: Feira Hospitalar (maior feira de saúde da América Latina, anual em São Paulo), Arena de Engenharia Clínica da ABEClin, IEEE EMBC (maior evento internacional da área) e congressos da IFMBE.
Leia também: Calendário de eventos de Engenharia Biomédica 2026: congressos, feiras e conferências
Entidades e associações profissionais
| Entidade | O que faz |
|---|---|
| SBEB | Sociedade acadêmico-profissional; organiza o CBEB; publica a revista Research on Biomedical Engineering |
| ABEClin | Associação de Engenharia Clínica; Arena na Feira Hospitalar; Prêmio João Pedroso |
| ABIMO | Associação da indústria de dispositivos médicos; 300+ associados |
| ABIMED | Associação da indústria de tecnologia para saúde; ~200 empresas |
| ABIIS | Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde |
| CONFEA/CREA | Regulação e fiscalização profissional |
Glossário rápido
| Termo | Significado |
|---|---|
| ART | Anotação de Responsabilidade Técnica (documento obrigatório emitido via CREA) |
| BPF | Boas Práticas de Fabricação (RDC 665/2022) |
| CBO | Classificação Brasileira de Ocupações |
| CDRH | Center for Devices and Radiological Health (equivalente da ANVISA nos EUA, parte da FDA) |
| IEC 60601 | Norma internacional para segurança de equipamentos eletromédicos |
| IMDRF | International Medical Device Regulators Forum |
| IoMT | Internet of Medical Things (Internet das Coisas Médicas) |
| ISO 13485 | Sistema de gestão da qualidade para dispositivos médicos |
| ISO 14971 | Gerenciamento de risco para dispositivos médicos |
| PACS/RIS | Picture Archiving and Communication System / Radiology Information System |
| PEP | Prontuário Eletrônico do Paciente |
| SaMD | Software as a Medical Device (Software como Dispositivo Médico) |
| Tecnovigilância | Monitoramento de eventos adversos de dispositivos médicos no mercado |
Fontes e metodologia
Este artigo consolida dados de fontes primárias verificáveis:
- Salários: CAGED/MTE via Portal Salário (CBO 2143-80 e 2011-05), fevereiro de 2026
- Cursos: SBEB, Censo da Educação Superior/INEP, e-MEC
- Mercado de dispositivos: ABIMO, ABIIS (Boletim Econômico), Fortune Business Insights
- Healthtechs: Tracxn, Distrito HealthTech Report, Liga Ventures
- Regulamentação: CONFEA (Resolução 1.103/2018), ANVISA (RDCs), MTE (CBO)
- Notas de corte: SiSU/MEC 2025 via Quero Bolsa e StudyMaps
- Tendências: TIC Saúde 2024 (CGI.br), PwC, SBEB, Saúde Digital News, ABIMO
- Internacional: Bureau of Labor Statistics (BLS), BMES, IEEE EMBS, FDA CDRH, ABET
Todos os dados são verificáveis nas fontes originais. O artigo é atualizado semestralmente. Última atualização: fevereiro de 2026.