Mercado

O Mercado de Dispositivos Médicos no Brasil: R$ 26 Bilhões e Crescendo [2026]

O setor de dispositivos médicos no Brasil movimentou R$ 26,1 bilhões em 2024, emprega 85 mil pessoas e exporta para 180+ países. Veja números completos, segmentos de produto, balança comercial, políticas industriais e oportunidades para engenheiros biomédicos.

Mercado
17 de fevereiro de 2026
12 min de leitura

O setor de dispositivos médicos no Brasil movimentou R$ 26,1 bilhões em valor de produção industrial em 2024, emprega mais de 85 mil pessoas diretamente e exporta para mais de 180 países. É o principal empregador de engenheiros biomédicos no país e um dos setores industriais mais dinâmicos da economia brasileira. Este artigo apresenta os números completos, a estrutura do mercado e as oportunidades para profissionais da área.

Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.

Números-chave do setor (2024)

IndicadorValorVariação
Valor da produção industrialR$ 26,1 bilhões+11,5% vs. 2023
Produção nacionalUS$ 3,25 bilhões+3,1% (maior valor em 15 anos)
Mercado total (incluindo importados)US$ 15,28 bilhões
Empregos diretos (indústria)85.078+7% vs. 2023
Empregos totais (indústria + comércio)152.371
Novas vagas criadas5.979
ExportaçõesUS$ 1,17 bilhão+24,6%
ImportaçõesUS$ 9,79 bilhões+20,5%
Déficit comercialUS$ 8,62 bilhões
Destinos de exportação180+ países

Fontes: ABIMO, ABIIS (Boletim Econômico), Fortune Business Insights.

Projeção de crescimento

O mercado total de dispositivos médicos no Brasil deve crescer de US$ 15,28 bilhões em 2024 para US$ 25 bilhões até 2032, segundo a Fortune Business Insights, representando um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 6,4%.

Esse crescimento é impulsionado por envelhecimento populacional, aumento de doenças crônicas, expansão do acesso à saúde, transformação digital dos hospitais e políticas industriais que incentivam produção nacional.

A estrutura do mercado brasileiro

Segmentos de produto

O setor de dispositivos médicos é amplo e diversificado, abrangendo:

Equipamentos de diagnóstico por imagem — Aparelhos de ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassom, raio-X, PET-CT, mamografia. Segmento dominado por multinacionais (Philips, GE, Siemens), mas com presença nacional crescente.

Equipamentos de monitoramento — Monitores multiparamétricos, oxímetros de pulso, eletrocardiógrafos, monitores fetais, centrais de monitoramento. Forte presença de empresas nacionais (Instramed, Magnamed).

Equipamentos de suporte à vida — Ventiladores pulmonares, bombas de infusão, desfibriladores, incubadoras neonatais. A Fanem (fundada em 1924) é referência mundial em neonatologia.

Implantes e próteses — Implantes ortopédicos (quadril, joelho, coluna), stents coronarianos, marcapassos, válvulas cardíacas, implantes dentários. Mercado dominado por multinacionais (Stryker, J&J, Medtronic, Boston Scientific).

Material médico-hospitalar — Seringas, agulhas, cateteres, luvas, equipamentos de esterilização, mobiliário hospitalar. Forte presença de fabricantes nacionais.

Diagnóstico in vitro — Analisadores de laboratório, reagentes, testes rápidos, equipamentos de hematologia e bioquímica.

Software e saúde digital — Prontuários eletrônicos, sistemas PACS/RIS, telemedicina, software de diagnóstico por IA (classificados como SaMD pela RDC 657/2022).

Balança comercial: oportunidade e desafio

O déficit comercial de US$ 8,62 bilhões é o dado mais significativo para entender o mercado. O Brasil importa quase 10 vezes mais do que exporta em dispositivos médicos. Isso revela uma dependência estrutural de tecnologia estrangeira, mas também aponta para uma oportunidade massiva de substituição de importações.

As exportações, porém, estão em trajetória positiva: US$ 1,17 bilhão em 2024 (+24,6%) e US$ 572,6 milhões (+7,5%) apenas no primeiro semestre de 2025. Os produtos brasileiros já alcançam mais de 180 países, com a América Latina como principal destino.

Produtos brasileiros com competitividade internacional incluem ventiladores pulmonares (Magnamed), incubadoras neonatais (Fanem), monitores cardíacos (Instramed) e dispositivos de neuromonitoramento (brain4care, com clearance FDA).

Emprego no setor

O setor criou 5.979 novas vagas em 2024, elevando o total para:

SegmentoEmpregos
Indústria (fabricação)85.078
Comércio (importação e distribuição)67.293
Total152.371

A distribuição regional é concentrada: Sudeste 66%, Sul 20%, Nordeste 8%, Centro-Oeste 4%, Norte 2%. São Paulo concentra a maior parte dos empregos industriais, seguido por Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

As associações que representam o setor

Duas associações principais organizam e representam a indústria:

ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos) — Fundada em 1962, representa mais de 300 empresas associadas, com foco na indústria nacional. Publica dados do setor, promove exportações, organiza missões internacionais e atua em políticas industriais.

ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para Saúde) — Fundada em 1996, representa ~200 empresas que respondem por cerca de 65% do faturamento do segmento. Associa predominantemente multinacionais e empresas de maior porte.

ABIIS (Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde) — Publica o Boletim Econômico do setor com dados consolidados de emprego, produção e comércio exterior.

ABRAIDI — Representa importadores e distribuidores de dispositivos médicos.

Políticas industriais e incentivos

O governo brasileiro tem tratado dispositivos médicos como setor estratégico. Os principais programas são:

Nova Indústria Brasil (NIB) — Programa industrial com R$ 300 bilhões em financiamento até 2026. Saúde é um dos eixos estratégicos, com foco em redução da dependência de importações.

Saúde Inova EMBRAPII-ABIMO — Programa que financia até 50% (recursos não reembolsáveis) de projetos de desenvolvimento de dispositivos médicos. A EMBRAPII anunciou em 2025 um pacote de R$ 150 milhões em parceria com o Ministério da Saúde.

FINEP — Opera programas como Finep Aquisição Inovadora Saúde (crédito até R$ 15 milhões para aquisição de equipamentos inovadores pelo SUS) e Finep Mais Inovação (R$ 15-250 milhões para projetos de inovação).

BNDES — Oferece linhas de crédito para inovação industrial em saúde, incluindo BNDES Automático e BNDES Finem.

Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) — Mecanismo pelo qual o Ministério da Saúde realiza compras governamentais de produtos com compromisso de transferência de tecnologia para produção nacional.

Cadeia de valor: onde o engenheiro biomédico atua

O engenheiro biomédico pode atuar em múltiplos pontos da cadeia de valor do setor:

Pesquisa e desenvolvimento — Concepção de novos produtos, prototipagem, testes de conceito. Exige criatividade, conhecimento técnico profundo e capacidade de inovação.

Projeto e engenharia — Detalhamento do projeto, seleção de materiais e componentes, design de hardware e software, engenharia de usabilidade (IEC 62366). Fase central do trabalho de P&D.

Regulatório e qualidade — Preparação de dossiê para registro na ANVISA, análise de risco (ISO 14971), implementação de SGQ (ISO 13485), BPF (RDC 665/2022). Fase crítica para acesso ao mercado.

Fabricação — Gestão de produção, controle de qualidade em linha, esterilização, embalagem. Engenheiros biomédicos em fábricas garantem que o produto final atenda às especificações técnicas e regulatórias.

Comercialização — Engenheiro de aplicação (demonstra equipamentos para médicos), engenheiro de campo (instalação e suporte), treinamento de clientes. Interface entre tecnologia e usuário final.

Manutenção e pós-venda — Manutenção preventiva e corretiva, calibração, gestão de peças de reposição, tecnovigilância. Conecta-se diretamente com a engenharia clínica hospitalar.

Tendências do setor para 2026-2030

Consolidação do SaMD. Software como Dispositivo Médico (regulado pela RDC 657/2022) é o segmento de crescimento mais rápido. Inclui apps de diagnóstico, algoritmos de IA, plataformas de telemedicina. Exige profissionais que entendam tanto software quanto regulação médica.

Impressão 3D de dispositivos. Guias cirúrgicos, próteses personalizadas e implantes impressos sob demanda estão se tornando viáveis comercialmente. A 3D4U, Fórmula3D e 3DBS são empresas brasileiras nesse segmento.

Robótica cirúrgica em escala. A cobertura obrigatória por planos de saúde (ANS, 2026) e novos concorrentes ao Da Vinci devem expandir o mercado significativamente.

IoMT (Internet of Medical Things). Dispositivos conectados que transmitem dados em tempo real — de monitores a wearables — criam um mercado que exige engenheiros com competências em conectividade, segurança cibernética e interoperabilidade.

Nearshoring. Tensões geopolíticas e rupturas em cadeias de suprimento globais incentivam empresas a produzirem mais perto dos mercados consumidores. O Brasil pode se beneficiar como hub de produção para a América Latina.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do mercado de dispositivos médicos no Brasil?

US$ 15,28 bilhões em 2024 (incluindo produtos importados), com projeção de US$ 25 bilhões até 2032.

Quantas empresas fabricam dispositivos médicos no Brasil?

A ABIMO representa mais de 300 fabricantes nacionais. No total, incluindo multinacionais e importadores, o setor reúne milhares de empresas.

O Brasil exporta dispositivos médicos?

Sim, US$ 1,17 bilhão em 2024, para mais de 180 países. Ventiladores, incubadoras neonatais e monitores cardíacos brasileiros são competitivos internacionalmente.

Volte ao Guia Definitivo de Engenharia Biomédica para explorar todas as seções.

Publicado por engenhariabiomedica.com

Gostou deste artigo?

Receba conteúdos como este diretamente no seu e-mail.

Assinar newsletter