Se a graduação forma o engenheiro biomédico generalista, a pós-graduação forma o especialista, o pesquisador e o inovador. Para quem deseja atuar na fronteira do conhecimento — inteligência artificial para diagnóstico, bioimpressão 3D, neuroengenharia, robótica cirúrgica — ou seguir carreira acadêmica, o mestrado e o doutorado são passos essenciais.
O Brasil conta com 16 programas de pós-graduação stricto sensu em Engenharia Biomédica ou áreas correlatas, incluindo o único com conceito de excelência (6) da CAPES na área. Este artigo detalha todos eles.
Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.
Por que fazer pós-graduação em Engenharia Biomédica?
A pós-graduação abre quatro portas que a graduação sozinha não consegue:
Pesquisa de ponta: Acesso a laboratórios equipados, financiamento de projetos (FAPESP, CNPq, FINEP, EMBRAPII) e orientação de pesquisadores reconhecidos internacionalmente. É onde se desenvolvem as tecnologias que chegarão ao mercado em 5-10 anos.
Carreira acadêmica: Mestrado é pré-requisito para concursos de professor em universidades. Doutorado é obrigatório para docência em programas de pós-graduação e para alcançar as faixas salariais mais altas da carreira acadêmica (R$ 15.000-22.000/mês em regime DE em federais).
Especialização profunda: O mercado de IA em saúde, regulatório e P&D valoriza cada vez mais mestres e doutores. Profissionais com pós-graduação atingem as faixas salariais sêniores mais rapidamente.
Networking internacional: Programas de pós oferecem intercâmbios, coautorias com pesquisadores estrangeiros e acesso a congressos internacionais (IEEE EMBC, IFMBE).
Tipos de pós-graduação
Stricto sensu (mestrado e doutorado)
Mestrado acadêmico: 2 anos de duração. Foco em pesquisa original com defesa de dissertação. Forma pesquisadores e qualifica para docência. Bolsa CAPES: ~R$ 2.100/mês (2026).
Mestrado profissional: 2 anos de duração. Foco em aplicação prática, com dissertação ou produto técnico. Voltado para profissionais que já atuam no mercado e desejam aprofundamento sem dedicação exclusiva.
Doutorado: 4 anos de duração (em média). Pesquisa original e inédita com defesa de tese. Exige contribuição significativa ao conhecimento da área. Bolsa CAPES: ~R$ 3.100/mês (2026).
Lato sensu (especialização)
Cursos de 360-600 horas, geralmente de 12-18 meses, sem exigência de defesa de dissertação. Oferecem certificado de especialista. São oferecidos por diversas instituições e focam em áreas aplicadas como Engenharia Clínica, Gestão de Tecnologia em Saúde, Regulação de Dispositivos Médicos, entre outros. Não conferem título de mestre ou doutor.
Programas específicos em Engenharia Biomédica
PEB/COPPE/UFRJ — O programa-mãe
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Conceito CAPES | 6 (Excelência) |
| Fundação | 1971 |
| Formados | 509+ mestres, 165+ doutores |
| Localização | Rio de Janeiro/RJ |
O Programa de Engenharia Biomédica da COPPE/UFRJ é o berço da Engenharia Biomédica no Brasil e o único programa específico da área com conceito de excelência. Fundado em 1971 com professores vindos dos EUA e Inglaterra, formou gerações de pesquisadores e docentes que fundaram programas em todo o país.
Linhas de pesquisa: Processamento de imagens e sinais biomédicos, engenharia pulmonar, ultrassom biomédico, instrumentação biomédica.
Por que escolher: Máximo prestígio acadêmico, rede de ex-alunos extensa, conceito CAPES mais alto da área, forte conexão com hospitais universitários do Rio de Janeiro. Ideal para quem busca carreira acadêmica ou pesquisa de alto impacto.
PPGEB/UFPE
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Conceito CAPES | 4–5 |
| Localização | Recife/PE |
Linhas de pesquisa: Instrumentação biomédica, computação biomédica, informática em saúde, inteligência artificial aplicada.
Destaque: Lidera o projeto Saúde Inteligente (R$ 14,7 milhões da FINEP) para aplicação de IA e IoT no Hospital das Clínicas da UFPE. Forte em pesquisa computacional e interface com TI em saúde.
Por que escolher: Excelente para quem tem interesse em IA em saúde e informática médica. Programa consolidado com tradição (UFPE foi pioneira na graduação em 2001).
PPGEB/UFU
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Localização | Uberlândia/MG |
Linhas de pesquisa: Instrumentação biomédica, processamento de sinais, engenharia clínica.
Por que escolher: Tradição em instrumentação e processamento de sinais. Custo de vida em Uberlândia é significativamente menor que em São Paulo ou Rio.
PPGEB/UTFPR
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado Profissional |
| Conceito CAPES | 4 |
| Localização | Curitiba/PR |
Destaque: Único mestrado profissional em Engenharia Biomédica na região Sul do Brasil. Voltado para profissionais que atuam no mercado e desejam aprofundamento sem abandonar a carreira.
Por que escolher: Ideal para engenheiros clínicos, profissionais da indústria ou regulatório que querem título de mestre sem dedicação exclusiva.
PPGEBM/UFABC
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado |
| Localização | São Bernardo do Campo/SP |
Linhas de pesquisa: Biomateriais, biomecânica, imagens médicas, biofotônica.
Por que escolher: Proximidade com a Grande São Paulo (indústria e hospitais). Modelo interdisciplinar herdado da filosofia da UFABC.
PPGEB/UnB
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado |
| Localização | Gama/DF |
Linhas de pesquisa: Tecnologias em EB, computação inteligente, biotecnologia.
Por que escolher: Única opção no Centro-Oeste. Proximidade com órgãos federais (ANVISA, Ministério da Saúde) pode facilitar pesquisa em políticas de saúde e regulação.
UMC (Universidade de Mogi das Cruzes)
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Localização | Mogi das Cruzes/SP |
Linhas de pesquisa: Engenharia biomédica aplicada.
Universidade Brasil
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Localização | São Paulo/SP |
Linhas de pesquisa: Reabilitação, nanociências, sistemas cosméticos.
Anhembi Morumbi
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Níveis | Mestrado e Doutorado |
| Localização | São Paulo/SP |
Programas correlatos de alto nível
Estes programas não se chamam "Engenharia Biomédica", mas possuem áreas de concentração ou linhas de pesquisa com atuação direta e reconhecida na área.
USP — Escola Politécnica (LEB)
PPG em Engenharia Elétrica com área de concentração em Engenharia Biomédica. O Laboratório de Engenharia Biomédica (LEB) foi fundado em 1981 e possui 8 linhas de pesquisa. Inclui a primeira Divisão de Ensaios e Normativos em universidade pública brasileira para avaliação de equipamentos médicos.
Por que escolher: Prestígio da USP, forte em instrumentação e normalização, conexão com o maior complexo hospitalar da América Latina (HCFMUSP via InovaHC).
UNICAMP — FEEC (CEB)
PPG em Engenharia Elétrica com área em EB, vinculado ao Centro de Engenharia Biomédica (CEB, criado em 1982). O MICLab (Medical Image Computing Laboratory), da pesquisadora Letícia Rittner, é referência em aceleração de ressonância magnética com IA (até 4x).
Por que escolher: Excelência em processamento de imagens médicas e física médica. Campus de Campinas com ecossistema de inovação robusto.
USP São Carlos
PPG Interunidades em Bioengenharia (EESC/FMRP/IQSC). Programa interunidades que combina engenharia (São Carlos) com medicina (Ribeirão Preto) e química (São Carlos).
Por que escolher: Natureza genuinamente interdisciplinar. Proximidade com o SUPERA Parque (74 empresas, laboratórios INMETRO).
UFSC — IEB-UFSC
PPG em Engenharia Elétrica com área em EB via Instituto de Engenharia Biomédica (IEB-UFSC).
Por que escolher: Tradição em instrumentação e sistemas embarcados. Qualidade de vida em Florianópolis.
UFMG — CIIA-Saúde
O Centro de Inteligência Artificial em Saúde (CIIA-Saúde) da UFMG não é um programa de pós formal, mas um centro de pesquisa que reúne 8 instituições. O Centro de Telessaúde do HC-UFMG analisa ~4.000 ECGs por dia com IA. Publicações na Nature Communications sobre diagnóstico cardiovascular.
Por que considerar: Para quem quer pesquisar IA em saúde, a UFMG é referência nacional, mesmo que o programa formal seja em Ciência da Computação ou Engenharia Elétrica.
Como escolher o programa certo
1. Defina seu objetivo: Carreira acadêmica → priorize conceito CAPES alto (COPPE/UFRJ, UNICAMP, USP). Mercado → considere mestrado profissional (UTFPR) ou programas em cidades com forte indústria (São Paulo, Campinas, Curitiba).
2. Pesquise o orientador: O orientador é mais importante que o programa. Identifique pesquisadores cujos trabalhos se alinham com seus interesses. Leia publicações recentes. Envie e-mail apresentando seu interesse. Consulte o Currículo Lattes.
3. Verifique o financiamento: Bolsas CAPES e CNPq são limitadas. Projetos financiados por FAPESP, FINEP ou EMBRAPII podem oferecer bolsas complementares. Mestrado profissional geralmente não oferece bolsa.
4. Considere a infraestrutura: Laboratórios equipados, acesso a clusters computacionais (essencial para IA), convênios com hospitais e empresas.
5. Avalie o networking: Ex-alunos do programa trabalham onde? Há parcerias internacionais? O programa participa de redes de pesquisa como INCT?
Processo seletivo típico
A maioria dos programas realiza seleções semestrais (para início em março ou agosto). O processo geralmente inclui:
Análise de currículo: Histórico acadêmico, publicações, experiência profissional, iniciação científica.
Prova escrita: Sobre temas da engenharia biomédica (processamento de sinais, instrumentação, etc.). Alguns programas aceitam nota do POSCOMP.
Entrevista: Com a comissão de seleção ou com o orientador pretendido.
Projeto de pesquisa: Proposta preliminar do tema que pretende desenvolver.
Proficiência em inglês: Alguns programas exigem comprovação na seleção; outros permitem comprovar até a defesa. TOEFL, IELTS ou proficiência institucional.
Financiamento e bolsas
| Fonte | Valor mensal (2026) | Requisitos |
|---|---|---|
| CAPES — Mestrado | ~R$ 2.100 | Dedicação exclusiva; aprovação no programa |
| CAPES — Doutorado | ~R$ 3.100 | Dedicação exclusiva; aprovação no programa |
| CNPq — Mestrado | ~R$ 2.100 | Seleção adicional via programa |
| FAPESP — Mestrado | ~R$ 2.900 | Projeto aprovado; disponível em SP |
| FAPESP — Doutorado | ~R$ 4.100 | Projeto aprovado; disponível em SP |
| FAPESP — Doutorado Direto | ~R$ 4.100 | Excelência acadêmica; projeto aprovado |
| Bolsas de projeto | Variável | Vinculadas a projetos específicos (FINEP, EMBRAPII) |
A FAPESP oferece as bolsas mais altas para mestrado e doutorado, mas são restritas a programas no estado de São Paulo. Outros estados possuem suas próprias FAPs (FAPEMIG, FAPEPE, FAPERJ, etc.).
Pós-graduação lato sensu (especializações)
Para quem não deseja ou não pode dedicar 2-4 anos a um mestrado/doutorado, existem especializações de 12-18 meses em áreas aplicadas:
| Área | Oferecido por |
|---|---|
| Engenharia Clínica | IEP Einstein, PUCPR, diversas |
| Gestão de Tecnologia em Saúde | HCFMUSP, diversas |
| Regulação de Dispositivos Médicos | Consultorias especializadas |
| IA aplicada à Saúde | USP, UNICAMP, diversas |
| Informática em Saúde | UNIFESP, diversas |
Perguntas frequentes
Preciso ter graduação em Engenharia Biomédica para fazer mestrado na área?
Não necessariamente. A maioria dos programas aceita graduados em engenharias (elétrica, mecânica, computação), física, ciência da computação e áreas afins. A adequação depende do programa e da linha de pesquisa.
Vale mais mestrado ou experiência de mercado?
Depende da área. Para engenharia clínica e indústria, experiência de mercado é muito valorizada. Para IA, P&D e regulatório de alto nível, mestrado ou doutorado são diferenciais significativos. O mestrado profissional combina ambos.
Quanto tempo dura um mestrado?
24 meses é o prazo regulamentar. Na prática, a média fica entre 24 e 30 meses.
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Publicado por engenhariabiomedica.com