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Healthtechs Brasileiras: O Ecossistema que Lidera a América Latina [2026]

O Brasil concentra 64,8% das healthtechs da América Latina, com 1.919 startups mapeadas e US$ 253,7 milhões investidos em 2024. Veja os números do ecossistema, startups medtech de destaque, hubs de inovação, vagas e como empreender na área.

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17 de fevereiro de 2026
12 min de leitura

O Brasil concentra 64,8% de todas as healthtechs da América Latina, com 1.919 startups de saúde mapeadas, US$ 253,7 milhões investidos em 2024 e uma média de 118 novas empresas fundadas por ano. Para engenheiros biomédicos com perfil empreendedor ou que buscam ambientes de inovação rápida, o ecossistema de healthtechs brasileiro representa uma das maiores oportunidades de carreira da década.

Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.

O ecossistema em números

IndicadorValorFonte
Healthtechs mapeadas no Brasil1.919Tracxn
Com funding265Tracxn
Série A ou superior80Tracxn
Healthtechs ativas investidas602+Distrito
Investimento em healthtechs na AL (2024)US$ 253,7 milhõesDistrito
Crescimento do investimento vs. 2023+37,6%Distrito
Novas fundações/ano (média)118Distrito
Participação do Brasil na AL64,8%Distrito
Healthtechs que usam IA20%Distrito

O ecossistema é jovem mas robusto. A maioria das healthtechs brasileiras foi fundada entre 2015 e 2022, e o investimento se recuperou fortemente em 2024 após o "inverno" das startups de 2022-2023.

Maiores rodadas de investimento (2024)

StartupRodadaValorÁrea
AmigoSérie BUS$ 33 milhõesGestão e PEP
MevoSérie BUS$ 24 milhõesPrescrição eletrônica
BeepSérie DUS$ 17 milhõesSaúde domiciliar

Além das rodadas maiores, dezenas de startups captaram entre US$ 1-10 milhões em seed e Série A, alimentando o pipeline de inovação.

Segmentos das healthtechs

O ecossistema se divide em segmentos definidos:

SegmentoParticipaçãoExemplos
Gestão e PEP25-28%Amigo, Prontmed
Telemedicina~12%Conexa Saúde, Doctoralia
Marketplace~12,6%Beep, Dr. Consulta
Farmacêutico/Diagnóstico~10%Neomed, Hilab
Bem-estar~10%Gympass/Wellhub
Medtech (dispositivos)~8%brain4care, Magnamed, Harpia
IA em saúde~20% (transversal)Neuralmed, Robô Laura, Portal Telemedicina

O segmento de medtech — startups que desenvolvem dispositivos e equipamentos médicos — é o mais diretamente ligado à Engenharia Biomédica, mas engenheiros biomédicos também atuam fortemente em IA em saúde, telemedicina e gestão/PEP.

Startups medtech de destaque

brain4care — Neuromonitoramento não invasivo

DadoDetalhe
SedeSão Carlos/SP
ÁreaNeuromonitoramento
TecnologiaSensor não invasivo para monitoramento da complacência intracraniana
Conquistas80+ publicações científicas; clearance FDA 510(k) (aprovação nos EUA); tecnologia patenteada

A brain4care é o caso mais emblemático de uma startup brasileira de engenharia biomédica que conquistou o mercado internacional. Nascida da pesquisa acadêmica em São Carlos, obteve aprovação do FDA — um feito raramente alcançado por empresas brasileiras de dispositivos médicos.

Neomed — Cardiologia com IA

DadoDetalhe
SedeSão Paulo/SP
ÁreaCardiologia / IA
TecnologiaPlataforma de ECGs com inteligência artificial
Conquistas150+ hospitais atendidos; Google for Startups Accelerator

Harpia Health — Radiologia com IA

DadoDetalhe
SedeSão José dos Campos/SP
ÁreaRadiologia / IA
TecnologiaPlataforma Delfos para análise automatizada de imagens médicas

Magnamed — Ventilação pulmonar

DadoDetalhe
SedeCotia/SP
ÁreaVentiladores pulmonares
Fundadores3 engenheiros
ConquistasPresente em 40+ países; protagonista na pandemia de COVID-19

Outras startups medtech relevantes

DiagAgil (Recife/PE) — Spin-off da UFPE, incubada no Polo Tec. Diagnóstico.

Neuralmed (São Paulo) — IA para laudos radiológicos automatizados.

Robô Laura — IA para predição de sepse em UTIs. Reduz mortalidade.

Portal Telemedicina — IA para laudos a distância; 92% de acurácia na detecção de pneumonia.

Cloudia — Chatbot de saúde com IA; automatiza 70% das interações de agendamento.

Concentração geográfica

EstadoParticipação
São Paulo44-49%
Minas Gerais9-10%
Rio de Janeiro8-9%
Santa Catarina~5%
Paraná~5%
Rio Grande do Sul~4%
Demais estados~20%

São Paulo é o epicentro absoluto, concentrando quase metade de todas as healthtechs. A combinação de hospitais de referência, universidades de ponta, investidores e ecossistema de startups cria um ambiente sem paralelo no país.

Hubs, aceleradoras e parques tecnológicos

O ecossistema de suporte é fundamental para a criação e crescimento de healthtechs:

Eretz.bio (Hospital Albert Einstein)

Criado em 2017, é o hub de inovação em saúde do Hospital Israelita Albert Einstein. Já acelerou mais de 150 startups e incorporou 27 tecnologias ao hospital. Possui programa específico para soluções voltadas ao SUS. O nome "Eretz" vem do hebraico para "terra" — simbolizando um terreno fértil para inovação.

Hub InovaHC (HCFMUSP)

Vinculado ao maior complexo hospitalar da América Latina (Hospital das Clínicas da FMUSP), abriga 30+ startups residentes. Oferece acesso a dados clínicos (anonimizados), infraestrutura hospitalar e validação clínica — um diferencial único para startups de medtech e IA em saúde.

Horizontes Hub (Unimed-BH)

Lançado em 2024, é o primeiro hub brasileiro que combina inovação aberta, novos negócios e labs de experimentação (incluindo Consultório 2030 e Meta-Saúde). Dispõe de R$ 60 milhões para investir em startups de saúde em 4 anos.

Aceleradoras

Cubo Itaú — Healthtech como vertical de aceleração.

Google for Startups Accelerator — Programa global com foco em IA; Neomed é alumna.

InovAtiva Brasil — Programa público, maior acelerador da América Latina, com 3.000+ startups aceleradas (diversas em saúde).

Parques tecnológicos

SUPERA Parque (Ribeirão Preto/SP) — Instalado no campus USP, reúne 74 empresas de base tecnológica e laboratórios acreditados pelo INMETRO. Referência em infraestrutura para medtech.

Supera Incubadora — Também em Ribeirão Preto, com 62 empresas de base tecnológica.

Oportunidades de carreira em healthtechs

Healthtechs oferecem um ambiente de trabalho radicalmente diferente de hospitais ou multinacionais. Para engenheiros biomédicos, os atrativos incluem:

Impacto direto. Em uma startup, sua contribuição individual é visível e mensurável. Você não é uma peça em uma máquina enorme — é uma parte essencial de um time pequeno que resolve problemas reais.

Crescimento acelerado. Em empresas em crescimento, promoções e expansão de responsabilidades acontecem muito mais rápido que em organizações estabelecidas.

Exposição multifuncional. Em uma startup, o engenheiro biomédico frequentemente atua em P&D, regulatório, produto, comercial e suporte — acumulando experiência diversificada.

Potencial financeiro. Startups com funding oferecem salários competitivos (R$ 10.000-25.000 para engenheiros seniores) e, em alguns casos, participação societária (equity) que pode se valorizar significativamente.

Vagas típicas em healthtechs

PosiçãoFaixa salarialPerfil
Engenheiro de software médicoR$ 10.000-18.000Python, cloud, APIs de saúde
Cientista de dados em saúdeR$ 12.000-22.000ML/DL, dados clínicos
Engenheiro de produto (medtech)R$ 8.000-16.000Hardware, firmware, regulatório
Especialista regulatórioR$ 9.000-16.000ANVISA, SaMD, ISO 13485
CTO / VP de EngenhariaR$ 18.000-35.000Liderança técnica, visão de produto

Como empreender: fundando sua healthtech

Engenheiros biomédicos estão em posição privilegiada para empreender em saúde porque combinam conhecimento técnico (engenharia) com domínio do contexto (saúde). Passos práticos:

Identifique um problema real. As melhores startups nascem de problemas vivenciados na prática clínica — estágios em hospitais e experiência em engenharia clínica são fontes ricas de insights.

Valide com médicos. A solução precisa resolver um problema que profissionais de saúde reconheçam como real. Converse com médicos, enfermeiros e gestores antes de construir qualquer coisa.

Entenda a regulação desde o início. Dispositivos médicos e softwares SaMD precisam de registro na ANVISA. Ignorar isso no início gera retrabalho enorme depois. Planeje a estratégia regulatória desde a concepção.

Busque apoio do ecossistema. Eretz.bio, InovaHC, Horizontes Hub, SUPERA, InovAtiva e FAPESP PIPE oferecem desde aceleração até financiamento não reembolsável.

Monte um time complementar. O time ideal de uma healthtech combina engenheiro (produto), profissional de saúde (validação clínica) e business (comercial/captação).

Perguntas frequentes

O Brasil é relevante em healthtechs globalmente?

Sim. O país concentra 64,8% das healthtechs da América Latina e é referência em telemedicina, gestão hospitalar e IA em saúde.

Preciso de investimento para começar uma healthtech?

Não necessariamente. Programas como FAPESP PIPE (até R$ 200 mil na Fase 1, sem reembolso), InovAtiva Brasil (gratuito), editais EMBRAPII e FINEP oferecem capital para validação e prototipagem.

Startups são instáveis demais?

O risco é real, mas mitigável. Priorize startups com funding (Série A ou superior), modelo de negócio validado e clientes pagantes. O crescimento de 37,6% nos investimentos em 2024 sinaliza maturação do ecossistema.

Volte ao Guia Definitivo de Engenharia Biomédica para explorar todas as seções.

Publicado por engenhariabiomedica.com

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