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Mercado de Trabalho em Engenharia Biomédica: Dados, Vagas e Perspectivas [2026]

O mercado de engenharia biomédica movimenta R$ 26,1 bilhões e gera 85 mil empregos diretos. Veja onde estão as vagas, salários por segmento, distribuição geográfica e perspectivas até 2030 com dados atualizados do CAGED e ABIMO.

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17 de fevereiro de 2026
13 min de leitura

O mercado de trabalho em Engenharia Biomédica no Brasil apresenta um paradoxo revelador: a amostra formal de profissionais registrados como "Engenheiro Biomédico" no CAGED é de apenas 137 movimentações em 12 meses — mas o setor que os emprega movimenta R$ 26,1 bilhões, gera 85 mil empregos diretos na indústria e abriga 1.919 healthtechs. Os números formais subestimam drasticamente a realidade. Este artigo analisa por que isso acontece, onde estão as oportunidades reais e como se posicionar nesse mercado em expansão acelerada.

Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.

O paradoxo dos números

Quando se consulta o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) pelo código CBO 2143-80 (Engenheiro Biomédico), aparecem apenas 137 profissionais movimentados em 12 meses. Para efeito de comparação, Engenharia Civil registra 26.208 movimentações.

Isso não significa que existam apenas 137 engenheiros biomédicos empregados no Brasil. O número é pequeno por três razões:

Títulos de cargo diversificados. Muitos engenheiros biomédicos são contratados sob denominações como "engenheiro clínico", "engenheiro de aplicação", "engenheiro de produto", "especialista em assuntos regulatórios", "analista de qualidade", "desenvolvedor de software médico" ou "engenheiro de campo". Esses títulos não correspondem ao CBO 2143-80 e, portanto, não aparecem na estatística.

Profissão recente. O CBO 2143-80 foi criado apenas em 2022. Profissionais contratados antes disso podem estar registrados sob outros códigos e nunca foram reclassificados.

Setor privado predominante. A maior parte dos engenheiros biomédicos trabalha em empresas privadas (multinacionais, hospitais, startups) onde a classificação CBO nem sempre é atualizada com rigor.

O cenário real é melhor descrito pelos dados setoriais: o setor de dispositivos médicos emprega diretamente 85.078 pessoas na indústria e 152.371 incluindo comércio. A parcela composta por engenheiros biomédicos é significativa, embora difícil de quantificar com precisão.

Indicadores de demanda: o mercado está aquecido

Múltiplos indicadores apontam para um mercado em expansão:

Contratações em alta. O cargo de Bioengenheiro (CBO 2011-05, categoria correlata) registrou aumento de 50% nas contratações entre dezembro/2024 e novembro/2025. É um dos maiores crescimentos entre todas as ocupações de engenharia.

Empresas otimistas. Segundo pesquisa da ABIMO/ABIIS, 76% das empresas do setor de dispositivos médicos projetam alta nas vendas e 52% planejam novas contratações no próximo ano.

Novas vagas na indústria. O setor de dispositivos médicos criou 5.979 novas vagas em 2024, elevando o total de empregos diretos para 85.078 — crescimento de 7% sobre 2023.

Catalisador regulatório. A ANS tornou obrigatória a cobertura de prostatectomia radical assistida por robô a partir de abril de 2026. Isso deve multiplicar a instalação de sistemas robóticos em hospitais e ampliar a demanda por engenheiros biomédicos que saibam instalar, manter e dar suporte a essas plataformas.

Investimento recorde. O ecossistema de healthtechs atraiu US$ 253,7 milhões em 2024 (+37,6%), e programas governamentais como a EMBRAPII (R$ 150 milhões para saúde) e Nova Indústria Brasil (R$ 300 bilhões) injetam capital no setor.

Onde estão as vagas: os 7 segmentos empregadores

1. Hospitais e redes de saúde (Engenharia Clínica)

O maior empregador em volume de vagas para engenheiros biomédicos. O Brasil possui mais de 6.500 hospitais, e a tendência é de profissionalização da gestão de equipamentos médicos. Grandes redes como Rede D'Or, Albert Einstein, Sírio-Libanês, HCor, Mãe de Deus e hospitais universitários possuem departamentos estruturados de engenharia clínica.

Vagas típicas: Engenheiro clínico, coordenador de engenharia clínica, analista de tecnologia em saúde, gestor de parque tecnológico.

Salário: R$ 7.500 a R$ 14.000/mês.

2. Indústria de dispositivos médicos

Segundo maior empregador. Envolve fabricantes nacionais (Fanem, Instramed, Lifemed, Magnamed, BMR Medical) e multinacionais (Philips, GE Healthcare, Siemens Healthineers, Medtronic, Johnson & Johnson, Boston Scientific, Stryker, BD).

Vagas típicas: Engenheiro de P&D, engenheiro de produto, engenheiro de aplicação, engenheiro de campo, engenheiro de serviço, engenheiro de qualidade.

Salário: R$ 8.000 a R$ 16.795/mês (em grandes empresas).

3. Assuntos regulatórios e qualidade

Toda empresa que fabrica, importa ou distribui dispositivos médicos precisa de profissionais que entendam o arcabouço regulatório da ANVISA. É uma das áreas com maior escassez de profissionais qualificados.

Vagas típicas: Analista/especialista/gerente de assuntos regulatórios, analista/gerente de qualidade (ISO 13485), auditor de BPF.

Salário: R$ 9.000 a R$ 18.000/mês.

4. Startups e healthtechs

O Brasil tem 1.919 healthtechs mapeadas, com 265 investidas e 80 em Série A ou superior. São empresas ágeis, com cultura de inovação e potencial de crescimento exponencial.

Vagas típicas: Engenheiro de software médico, cientista de dados em saúde, desenvolvedor de IA, CTO, engenheiro de produto.

Salário: R$ 8.000 a R$ 25.000/mês (variável com funding e posição).

5. Empresas terceirizadas de engenharia clínica

Empresas que prestam serviços de engenharia clínica para hospitais que não possuem equipe interna. É um segmento em crescimento, especialmente para hospitais de médio e pequeno porte.

Vagas típicas: Engenheiro clínico, técnico em engenharia clínica, coordenador regional.

Salário: R$ 7.000 a R$ 12.000/mês.

6. Pesquisa e academia

Universidades, centros de pesquisa (CEB/UNICAMP, PEB/COPPE/UFRJ, LEB/USP, NUTES-UEPB, SENAI CIMATEC) e institutos de inovação. Exige mestrado (para professor substituto) ou doutorado (para professor efetivo).

Vagas típicas: Professor, pesquisador, pós-doutorando, bolsista de pesquisa.

Salário: R$ 10.000 a R$ 22.000/mês (docente em federal, regime DE).

7. Órgãos reguladores e governo

ANVISA, Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de saúde, INMETRO. Ingresso por concurso público.

Vagas típicas: Especialista em regulação, analista técnico, gestor de tecnologia em saúde.

Salário: R$ 8.000 a R$ 16.000/mês (variável por carreira e órgão).

Distribuição geográfica das oportunidades

O mercado é fortemente concentrado no Sudeste, refletindo a localização da indústria e dos maiores hospitais:

Região % dos empregos (indústria) Principais polos
Sudeste 66% São Paulo, Campinas, São José dos Campos, Belo Horizonte, Rio de Janeiro
Sul 20% Curitiba, Porto Alegre, Joinville, Florianópolis
Nordeste 8% Recife, Salvador, Fortaleza
Centro-Oeste 4% Brasília, Goiânia
Norte 2% Manaus, Belém

São Paulo é, de longe, a cidade com mais oportunidades — concentra 44-49% das healthtechs, a maior parte das multinacionais de dispositivos médicos e os maiores hospitais privados do país.

Onde encontrar vagas

As fontes mais eficazes para buscar vagas de engenheiro biomédico:

LinkedIn — A plataforma mais utilizada para vagas na área. Busque por: "engenheiro biomédico", "engenheiro clínico", "biomedical engineer", "engenheiro de aplicação saúde", "regulatory affairs medical devices", "engenheiro de produto médico". Siga as páginas das empresas citadas neste artigo.

Sites de carreiras das multinacionais — Philips (careers.philips.com), GE Healthcare (careers.gehealthcare.com), Siemens Healthineers (siemens-healthineers.com/careers), Medtronic (jobs.medtronic.com). Muitas vagas são publicadas primeiro nos sites corporativos.

Portais de emprego — Indeed, Vagas.com, Catho, Glassdoor. Use os mesmos termos de busca do LinkedIn.

Comunidades profissionais — Grupos de LinkedIn de Engenharia Clínica e Engenharia Biomédica, grupos de WhatsApp da ABEClin e da comunidade de engenharia clínica, canal da SBEB.

Feira Hospitalar — O maior evento de saúde da América Latina, anual em São Paulo. Excelente para networking e entrevistas presenciais com empregadores.

CBEB — O Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (bienal, SBEB) reúne academia, indústria e estudantes. A próxima edição será em Fortaleza (set-out 2026).

Perfil mais contratado

Com base nos dados do CAGED e em análises de vagas publicadas, o perfil mais recorrente de contratação em 2025-2026 é:

Característica Perfil típico
Idade 29 anos
Gênero Masculino (predominante, embora a presença feminina cresça)
Formação Bacharelado em Engenharia Biomédica
Jornada 44 horas semanais
Setor Hospitalar (engenharia clínica)
Estado São Paulo
Idioma Inglês intermediário/avançado

Competências mais demandadas: Conhecimento de normas (IEC 60601, ISO 13485), programação (Python, MATLAB), gestão de equipamentos médicos, experiência com ANVISA/regulatório, capacidade de trabalhar em equipe interdisciplinar.

Perspectivas para 2027-2030

Cinco fatores estruturais apontam para expansão contínua do mercado:

Envelhecimento populacional. A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Mais idosos significam mais demanda por dispositivos médicos, implantes, monitoramento remoto e tecnologias assistivas.

Transformação digital do SUS. O programa SUS Digital está investindo centenas de milhões em prontuários eletrônicos, telemedicina e interoperabilidade. Isso cria demanda por engenheiros biomédicos com competências em informática em saúde.

Regulação de IA em saúde. O PL 2.338/2023 classifica IA em saúde como "alto risco", exigindo profissionais que entendam tanto a tecnologia quanto a regulação — perfil que o engenheiro biomédico preenche naturalmente.

Democratização da robótica cirúrgica. Com a cobertura obrigatória por planos de saúde (2026) e a entrada de novos concorrentes ao Da Vinci (reduzindo custos), o número de sistemas robóticos em hospitais brasileiros deve crescer significativamente.

Déficit comercial como oportunidade. O Brasil importa US$ 9,79 bilhões em dispositivos médicos e exporta apenas US$ 1,17 bilhão. Políticas como Nova Indústria Brasil e Saúde Inova EMBRAPII-ABIMO incentivam a produção nacional, o que demanda engenheiros biomédicos para desenvolvimento de tecnologia local.

Perguntas frequentes

Engenharia Biomédica tem emprego?

Sim, e em crescimento. As contratações de bioengenheiros cresceram 50% em um ano, 52% das empresas planejam novas contratações, e áreas como IA em saúde e robótica estão em expansão acelerada.

É difícil conseguir o primeiro emprego?

O primeiro emprego costuma ser em engenharia clínica (hospitais) ou como engenheiro de campo/aplicação (indústria). Iniciação científica, estágio bem direcionado e inglês são os maiores diferenciais para recém-formados.

Preciso de pós-graduação para trabalhar?

Para a maioria das vagas em engenharia clínica e indústria, não. A graduação é suficiente. Para pesquisa, docência e posições seniores em IA ou P&D, mestrado ou doutorado são cada vez mais valorizados.

Posso trabalhar no exterior?

Sim. O título de Biomedical Engineer é reconhecido internacionalmente. Os mercados mais aquecidos são EUA (salário médio ~US$ 100.000/ano), Alemanha, Reino Unido, Canadá e Austrália. Certificações como PE (Professional Engineer) nos EUA ou CEng (Chartered Engineer) no UK podem ser necessárias.

Volte ao Guia Definitivo de Engenharia Biomédica para explorar todas as seções.

Publicado por engenhariabiomedica.com

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