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Engenharia Biomédica vs. Biomedicina: Qual Escolher? Comparativo Completo

Comparativo definitivo entre Engenharia Biomédica e Biomedicina em 15 dimensões: formação, salário, mercado, conselho profissional e mais. Dados do CAGED e MEC.

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17 de fevereiro de 2026
14 min de leitura

Engenharia Biomédica e Biomedicina compartilham quatro sílabas no nome — e praticamente nada mais. São profissões com formações diferentes, conselhos reguladores diferentes, atuações que quase não se sobrepõem e salários com diferença de mais de 160%. Mesmo assim, a confusão entre elas é uma das dúvidas mais pesquisadas por vestibulandos no Google Brasil.

Este artigo resolve definitivamente essa questão. Comparamos as duas profissões em 15 dimensões, com dados verificáveis do CAGED, MEC e conselhos profissionais, para que você possa fazer uma escolha informada.

Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.

A diferença em uma frase

A forma mais direta de entender:

A Biomedicina identifica doenças. A Engenharia Biomédica cria as tecnologias que permitem identificá-las e tratá-las.

O biomédico é quem opera o microscópio no laboratório. O engenheiro biomédico é quem projetou o microscópio — ou o tomógrafo, o monitor cardíaco, o algoritmo de IA que analisa a imagem, a prótese que reabilita o paciente.

Comparativo completo em 15 dimensões

1. Área do conhecimento

Engenharia Biomédica pertence às Ciências Exatas e Engenharias. É, antes de tudo, uma engenharia — com toda a carga de cálculo, física e tecnologia que isso implica.

Biomedicina pertence às Ciências Biológicas e da Saúde. É uma profissão da área de saúde, com foco em processos biológicos, doenças e análises laboratoriais.

2. Formação acadêmica

Engenharia Biomédica: Bacharelado de 5 anos (10 semestres), carga mínima de 3.600 horas. O currículo é construído sobre Cálculo (1, 2, 3), Álgebra Linear, Física (mecânica, eletromagnetismo, óptica), Circuitos Elétricos, Eletrônica, Programação, Sinais e Sistemas — acrescidos de Anatomia, Fisiologia e disciplinas específicas como Instrumentação Biomédica, Biomecânica e Processamento de Imagens Médicas.

Biomedicina: Bacharelado de 4 anos (8 semestres), carga mínima de 3.200 horas. O currículo é baseado em Biologia Celular, Bioquímica, Microbiologia, Parasitologia, Patologia, Imunologia, Farmacologia, Hematologia, Genética e técnicas laboratoriais.

A diferença fundamental: na Engenharia Biomédica, o aluno passa os dois primeiros anos estudando cálculo, física e eletrônica. Na Biomedicina, estuda biologia, química e microbiologia. São bases completamente distintas.

3. O que faz cada profissional

Engenheiro Biomédico:

  • Projeta e desenvolve equipamentos médicos (monitores, ventiladores, próteses)
  • Gerencia tecnologia em hospitais (engenharia clínica)
  • Desenvolve softwares médicos e algoritmos de IA para diagnóstico
  • Registra dispositivos médicos na ANVISA
  • Pesquisa biomateriais, bioimpressão 3D e nanotecnologia
  • Instala, calibra e mantém equipamentos médicos

Biomédico:

  • Realiza análises clínicas laboratoriais (hemograma, bioquímica, urinálise)
  • Opera equipamentos de diagnóstico por imagem (ressonância, tomografia)
  • Pesquisa doenças, vacinas e fármacos
  • Identifica patógenos (vírus, bactérias, fungos)
  • Atua em reprodução assistida, genética e citologia
  • Pratica acupuntura (habilitação específica)

4. Conselho profissional

Engenharia Biomédica: Regulamentada pelo CONFEA/CREA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), sob a Lei 5.194/1966. O registro no CREA é obrigatório. Resolução CONFEA 1.103/2018 define as atribuições.

Biomedicina: Regulamentada pelo CFBM/CRBM (Conselho Federal de Biomedicina), sob a Lei 6.684/1979. O registro no CRBM é obrigatório.

São conselhos completamente separados, sem sobreposição de competências. Um engenheiro biomédico não pode se registrar no CRBM, e um biomédico não pode se registrar no CREA.

5. CBO (Classificação Brasileira de Ocupações)

Engenheiro Biomédico: CBO 2143-80 (grupo "Engenheiros eletroeletrônicos e afins"). Sinônimo oficial: Engenheiro Clínico.

Biomédico: CBO 2212-05 (grupo "Biólogos e afins").

6. Salário

Esta é talvez a diferença mais impactante para quem está escolhendo entre os dois cursos.

IndicadorEngenheiro Biomédico (CBO 2143-80)Biomédico (CBO 2212-05)
Salário médioR$ 8.658/mêsR$ 3.268/mês
PisoR$ 8.422/mêsR$ 2.514/mês
TetoR$ 14.782/mêsR$ 6.103/mês
Amostra CAGED137 profissionais18.736 profissionais

Fonte: Portal Salário/CAGED, fevereiro de 2026.

O engenheiro biomédico ganha, em média, 165% a mais que o biomédico. Porém, é importante contextualizar: a amostra de engenheiros biomédicos é muito menor (137 vs. 18.736), indicando que o mercado formal é mais restrito — mas a remuneração por vaga é significativamente superior.

O engenheiro biomédico também é contemplado pelo piso salarial legal de engenheiros (Lei 4.950-A/1966), que estabelece R$ 9.726/mês para 6 horas e R$ 14.589/mês para 8 horas diárias. O biomédico não possui piso legal federal — a remuneração é definida por convenções sindicais estaduais.

7. Mercado de trabalho

Engenheiro Biomédico: Mercado menor em número absoluto de vagas, mas especializado e em crescimento acelerado. Atua em hospitais (engenharia clínica), indústria de dispositivos médicos (desenvolvimento, regulatório, qualidade), startups de saúde, centros de pesquisa e órgãos reguladores. O setor de dispositivos médicos movimenta R$ 26,1 bilhões e gerou 5.979 novas vagas em 2024. As contratações de bioengenheiros cresceram 50% em um ano.

Biomédico: Mercado mais amplo em número absoluto de vagas, com forte concentração em laboratórios de análises clínicas. Atua em laboratórios (maior empregador), hospitais (setor de imagem), clínicas de reprodução assistida, indústria farmacêutica, bancos de sangue, perícia criminal e pesquisa. O Brasil possui milhares de laboratórios de análises clínicas, o que garante volume de vagas, mas a concorrência é alta e os salários são pressionados para baixo.

8. Onde trabalha

LocalEngenheiro BiomédicoBiomédico
HospitaisSim (engenharia clínica, gestão de equipamentos)Sim (laboratório, diagnóstico por imagem)
Laboratórios de análisesRaramentePrincipal empregador
Indústria de equipamentosPrincipal empregadorNão
Startups/healthtechsSim (desenvolvimento, IA)Sim (diagnóstico, análises)
ANVISA/regulatórioSim (registro de dispositivos)Sim (análise de medicamentos)
Universidades/pesquisaSimSim
Clínicas de reproduçãoNãoSim
Perícia criminalNãoSim

9. Disciplinas do curso

Disciplinas exclusivas de Engenharia Biomédica: Cálculo 1/2/3, Álgebra Linear, Física 1/2/3/4, Circuitos Elétricos, Eletrônica Analógica e Digital, Sinais e Sistemas, Microprocessadores, Instrumentação Biomédica, Biomecânica, Processamento de Imagens Médicas, Engenharia Clínica, Regulação de Dispositivos.

Disciplinas exclusivas de Biomedicina: Microbiologia, Parasitologia, Patologia, Hematologia, Imunologia, Farmacologia, Citologia, Técnicas Laboratoriais, Bromatologia, Toxicologia.

Disciplinas em comum: Anatomia Humana, Fisiologia, Bioquímica, Biologia Celular, Bioestatística, Biossegurança, Bioética.

10. Dificuldade do curso

Engenharia Biomédica é considerada mais difícil pela base pesada em matemática e física nos primeiros anos. É um curso de engenharia completo — Cálculo 3, equações diferenciais, variáveis complexas fazem parte do pacote. A taxa de evasão em engenharias no Brasil gira em torno de 50%.

Biomedicina é desafiadora por outro motivo: o volume de conteúdo biológico e a necessidade de memorização de processos, ciclos e classificações. A parte laboratorial exige precisão e dedicação. A taxa de evasão é menor que em engenharias.

11. Nota de corte (ENEM/SiSU)

Engenharia Biomédica: Média de 667,76 pontos no SiSU 2025. As notas mais altas ficam em UFU (754,24), UFPE (750,23) e UFRN (715,53).

Biomedicina: Notas de corte geralmente entre 650 e 780 pontos em federais. Medicina e Biomedicina costumam ter notas mais altas que Engenharia Biomédica nas mesmas universidades, por serem cursos de saúde com forte demanda.

12. Número de cursos

Engenharia Biomédica: 27 cursos no Brasil (2024). Oferta relativamente limitada.

Biomedicina: 600+ cursos no Brasil. Oferta muito ampla, incluindo grande número de cursos EaD.

13. Perfil do estudante

Engenharia Biomédica atrai quem: gosta de matemática e física, tem interesse em tecnologia e computação, quer criar soluções (equipamentos, softwares, dispositivos), pensa de forma analítica e sistêmica.

Biomedicina atrai quem: gosta de biologia e química, tem interesse em saúde e diagnóstico, quer entender doenças e processos biológicos, tem afinidade com trabalho laboratorial.

14. Possibilidade de empreender

Engenharia Biomédica oferece possibilidades amplas de empreendedorismo em medtech e healthtech. A Magnamed (ventiladores, fundada por 3 engenheiros) e a brain4care (neuromonitoramento, clearance FDA) são exemplos. O Brasil tem 1.919 healthtechs, muitas fundadas por engenheiros biomédicos.

Biomedicina permite empreender em laboratórios de análises clínicas, clínicas de estética (com habilitações específicas) e startups de diagnóstico.

15. Internacionalização

Engenharia Biomédica tem forte reconhecimento internacional. O título "Biomedical Engineer" é padronizado mundialmente, com acreditação ABET nos EUA e EUR-ACE na Europa. A PUC-PR oferece dupla titulação com Portugal.

Biomedicina como profissão autônoma é uma particularidade brasileira. Em muitos países, as funções equivalentes são exercidas por "Medical Laboratory Scientists" ou "Clinical Scientists", com diferentes regulamentações.

E a Engenharia Clínica?

Uma confusão adicional ocorre com a Engenharia Clínica, que não é uma terceira profissão, mas sim uma subárea da Engenharia Biomédica. O engenheiro clínico é o engenheiro biomédico que atua especificamente na gestão de tecnologia hospitalar.

O CBO 2143-80 registra "Engenheiro Clínico" como sinônimo oficial de "Engenheiro Biomédico". A Decisão PL-1843/2016 do CONFEA determinou que qualquer engenheiro registrado no CREA pode atuar como engenheiro clínico, mas o engenheiro biomédico possui a formação mais adequada para a função.

Posso fazer os dois cursos?

Tecnicamente sim, mas raramente faz sentido. São 9 anos de graduação (5 + 4) com bases muito diferentes. Na prática, profissionais que desejam transitar entre as duas áreas costumam optar por uma pós-graduação complementar em vez de uma segunda graduação.

O caminho mais comum é: graduação em Engenharia Biomédica + especialização em uma área aplicada (IA, regulatório, gestão hospitalar). Ou: graduação em Biomedicina + especialização em gestão laboratorial ou diagnóstico por imagem.

Tabela resumo final

DimensãoEngenharia BiomédicaBiomedicina
ÁreaEngenhariasSaúde
Duração5 anos4 anos
BaseCálculo, Física, EletrônicaBiologia, Química, Microbiologia
ConselhoCONFEA/CREACFBM/CRBM
CBO2143-802212-05
Salário médioR$ 8.658/mêsR$ 3.268/mês
Piso legalSim (Lei 4.950-A)Não (federal)
Amostra CAGED13718.736
Cursos no Brasil27600+
Nota SiSU (média)667,76~700
FocoCriar tecnologia para saúdeDiagnosticar doenças
InternacionalizaçãoAlta (título padronizado)Limitada (profissão tipicamente brasileira)

Qual escolher?

Escolha Engenharia Biomédica se: você gosta de matemática e física, quer criar coisas (equipamentos, softwares, dispositivos), se interessa por tecnologia, tem perfil analítico-criativo e busca salários na faixa de R$ 8.000 a R$ 16.000/mês.

Escolha Biomedicina se: você gosta de biologia e química, quer trabalhar diretamente com diagnóstico de doenças, tem afinidade com laboratório, se interessa por microbiologia e análises clínicas e busca um mercado com mais vagas disponíveis (ainda que com salários menores).

Ambas são profissões válidas e relevantes. A escolha deve refletir suas aptidões e interesses genuínos — não apenas o salário.

Volte ao Guia Definitivo de Engenharia Biomédica para explorar todas as seções.

Publicado por engenhariabiomedica.com

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