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Centros de Pesquisa em Engenharia Biomédica no Brasil: Onde se Produz Ciência de Ponta

Mapa completo dos principais centros de pesquisa em Engenharia Biomédica no Brasil: COPPE/UFRJ, CEB/UNICAMP, LEB/USP, CIIA-Saúde/UFMG, IEB-UFSC, hubs hospitalares (InovaHC, Eretz.bio), institutos SENAI e EMBRAPII. Linhas de pesquisa, financiamento e como acessar.

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17 de fevereiro de 2026
13 min de leitura

A pesquisa brasileira em Engenharia Biomédica está longe de ser apenas acadêmica — ela já produziu tecnologia com clearance FDA, algoritmos de IA que analisam milhares de exames por dia e ventiladores pulmonares que salvaram vidas em mais de 40 países. Dos laboratórios pioneiros da COPPE/UFRJ aos centros de inteligência artificial em saúde da UFMG, este artigo mapeia os principais polos de pesquisa do país, suas linhas de investigação e como acessá-los.

Este artigo faz parte do Guia Definitivo de Engenharia Biomédica.

O cenário da pesquisa em Engenharia Biomédica

O Brasil possui um ecossistema de pesquisa em EB distribuído entre universidades públicas, centros de inovação hospitalares, institutos SENAI e unidades EMBRAPII. Embora a maior parte da pesquisa esteja concentrada no eixo Sul-Sudeste, há centros relevantes em todas as regiões.

O financiamento vem de múltiplas fontes: FAPESP (São Paulo), CNPq (nacional), FINEP, EMBRAPII, CAPES (bolsas de pós-graduação), fundações estaduais (FAPEMIG, FAPEPE, FAPERJ) e, crescentemente, parcerias com o setor privado.

Centros de excelência

1. PEB/COPPE/UFRJ — O berço da Engenharia Biomédica brasileira

DadoDetalhe
InstituiçãoUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Fundação1971
Conceito CAPES6 (Excelência) — o mais alto da área
Formados509+ mestres, 165+ doutores
LocalizaçãoIlha do Fundão, Rio de Janeiro/RJ

O Programa de Engenharia Biomédica da COPPE é o programa mais antigo e mais bem avaliado da área no Brasil. Em mais de 50 anos de operação, formou a maioria dos pesquisadores e docentes que fundaram programas em outras universidades.

Linhas de pesquisa: Processamento de imagens e sinais biomédicos, engenharia pulmonar e de terapia intensiva, ultrassom biomédico, instrumentação biomédica, modelagem computacional.

Destaques recentes: Modelagem computacional de pulmões para otimização de ventilação mecânica, processamento avançado de imagens cerebrais, desenvolvimento de sistemas de ultrassom.

Como acessar: Processo seletivo para mestrado e doutorado (semestral). Iniciação científica para alunos de graduação da UFRJ e de outras instituições.

2. CEB/UNICAMP — Imagens médicas e IA

DadoDetalhe
InstituiçãoUniversidade Estadual de Campinas
Fundação1982 (atividades desde 1974)
LocalizaçãoCampinas/SP

O Centro de Engenharia Biomédica da UNICAMP é referência em processamento de imagens médicas e física médica. Abriga o MICLab (Medical Image Computing Laboratory), liderado pela pesquisadora Letícia Rittner.

Linhas de pesquisa: Aceleração de ressonância magnética com IA (até 4x mais rápido), segmentação e análise de imagens cerebrais, quantificação de imagens médicas, física médica, instrumentação.

Destaques recentes: O MICLab desenvolveu técnicas de IA que reduzem o tempo de aquisição de ressonância magnética em até 4 vezes, mantendo qualidade diagnóstica — uma inovação com potencial de impacto global, reduzindo custos e aumentando acesso.

Publicação histórica: A Revista Brasileira de Engenharia Biomédica (hoje Research on Biomedical Engineering — RBE), principal periódico da área no país, foi lançada no CEB em 1982.

3. LEB/USP — Instrumentação e normalização

DadoDetalhe
InstituiçãoEscola Politécnica da USP
Fundação1981
LocalizaçãoSão Paulo/SP

O Laboratório de Engenharia Biomédica da Poli/USP foi fundado por André Fábio Kohn e José Carlos Teixeira Moraes. Possui 8 linhas de pesquisa e criou a primeira Divisão de Ensaios e Normativos em universidade pública brasileira para avaliação de equipamentos médicos.

Linhas de pesquisa: Instrumentação biomédica, processamento de sinais neurais, modelagem neuromuscular, avaliação de conformidade de equipamentos médicos, engenharia de reabilitação.

Conexão hospitalar: O LEB tem proximidade com o InovaHC (hub de inovação do Hospital das Clínicas da FMUSP), o maior complexo hospitalar da América Latina, que abriga 30+ startups residentes.

4. CIIA-Saúde/UFMG — Inteligência artificial em saúde

DadoDetalhe
InstituiçãoUniversidade Federal de Minas Gerais (coordenação)
Fundação~2020
Parceiros8 instituições
LocalizaçãoBelo Horizonte/MG

O Centro de Inteligência Artificial em Saúde reúne pesquisadores de 8 instituições e combina expertise em ciência da computação, engenharia e medicina.

Destaques recentes: O Centro de Telessaúde do HC-UFMG analisa ~4.000 ECGs por dia com auxílio de IA, com publicações na Nature Communications sobre diagnóstico cardiovascular automatizado.

5. IEB-UFSC — Engenharia biomédica no Sul

DadoDetalhe
InstituiçãoUniversidade Federal de Santa Catarina
LocalizaçãoFlorianópolis/SC

Linhas de pesquisa: Instrumentação biomédica, processamento de sinais, engenharia clínica, informática em saúde, telemedicina.

Diferencial: Forte colaboração com o setor industrial de Santa Catarina (polo tecnológico de Florianópolis e Joinville, onde a Siemens Healthineers investiu R$ 50 milhões em fábrica).

Centros de pesquisa em universidades

UFPE — Computação biomédica e IA

Lidera o projeto Saúde Inteligente (R$ 14,7 milhões da FINEP), aplicando IA e IoT ao Hospital das Clínicas da UFPE. A DiagÁgil, spin-off da UFPE, é exemplo de transferência tecnológica.

USP São Carlos — Bioengenharia interunidades

PPG Interunidades em Bioengenharia (EESC/FMRP/IQSC). Proximidade com o SUPERA Parque (74 empresas) e a brain4care (clearance FDA).

UFU — Instrumentação e sinais

Referência em instrumentação biomédica e processamento de sinais.

UFRN — Neuroengenharia

O Instituto do Cérebro da UFRN, fundado por Miguel Nicolelis, é referência mundial em interfaces cérebro-computador.

Centros de inovação hospitalares

InovaHC (HCFMUSP) — 30+ startups residentes, acesso a dados clínicos, validação hospitalar.

Eretz.bio (Einstein) — 150+ startups aceleradas, 27 tecnologias incorporadas ao hospital.

Instituto de Pesquisa Sírio-Libanês — Primeira telecirurgia robótica do Brasil (2024).

Horizontes Hub (Unimed-BH) — R$ 60 milhões para investir em startups (4 anos).

Institutos SENAI e EMBRAPII

SENAI CIMATEC (Salvador/BA) — Manufatura avançada e robótica aplicadas à saúde.

EMBRAPII — R$ 150 milhões em parceria com Ministério da Saúde (2025) para inovação em dispositivos médicos. Financia até 50% dos projetos (não reembolsável).

Financiamento da pesquisa

FonteTipoValor típico
FAPESP (SP)Auxílio Regular, Temático, PIPER$ 50k-5M
CNPqUniversal, Bolsa ProdutividadeR$ 30k-500k + bolsa
CAPESBolsas mestrado/doutoradoR$ 2.100-3.100/mês
FINEPSubvenção, créditoR$ 500k-15M
EMBRAPIINão reembolsável (até 50%)R$ 150k-5M
Parcerias industriaisP&D com empresasVariável

Como acessar os centros

Iniciação Científica: A partir do 3º-4º semestre. Programas PIBIC (CNPq) e FAPESP IC. Contate diretamente o pesquisador.

Mestrado/Doutorado: Processos seletivos semestrais. Identifique o orientador antes de se inscrever.

Colaboração empresa-academia: Unidades EMBRAPII e hubs hospitalares facilitam parcerias.

Volte ao Guia Definitivo de Engenharia Biomédica para explorar todas as seções.

Publicado por engenhariabiomedica.com

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